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Entrevistas

Entrevista com o compositor Sergio Ronchetti, de Eldest Souls

Interview with composer Sergio Ronchetti, from Eldest Souls, in Portuguese [PT] and English [ENG].

Em um ato final de vingança, os Deuses Antigos lançaram uma grande Desolação no mundo — assim começa a sinopse do novo jogo do indie Fallen Flag, que será lançado no dia 29 de julho. Após séculos de servidão, os homens se rebelaram contra os deuses e os prenderam dentro da Cidadela, mas as entidades colossais encontraram uma forma de se vingar. A humanidade desaparece aos poucos e sua última esperança está nas mãos de um solitário guerreiro com coragem suficiente para enfrentar poderes maiores do que sua compreensão.

In a final act of vengeance, the Old Gods have unleashed a great Desolation upon the world — thus begins the synopsis of indie Fallen Flag’s new game, to be released on July 29th. After centuries of servitude, men have rebelled against the gods and imprisoned them inside the Citadel, but those colossal entities found a way to get revenge. Humanity slowly fades and its last hope lies with one lone warrior with enough courage to face powers beyond their comprehension.

Eldest Souls é um RPG de ação focado em boss fights únicas contra cada Deus Antigo, e para complementar sua premissa sinistra e a natureza intensa, porém metódica de sua jogabilidade, o estúdio confiou a trilha sonora e o design de som ao compositor ítalo-hispânico Sergio Ronchetti.

Eldest Souls is an action-RPG focused on unique boss fights against each Old God, and to complement its ominous premise and the intense yet methodical nature of its gameplay, the studio entrusted the soundtrack and sound design to Italian-Hispanic composer Sergio Ronchetti.

Desde a adolescência ele experimentava com a música, e sua carreira profissional teve início aos 18 anos como baixista de heavy metal. Após quatro anos compondo álbuns e viajando pelo mundo tocando com a sua banda em diversos festivais, o músico autodidata decidiu seguir uma formação musical acadêmica em Londres. Foi durante a faculdade que conheceu Jonathan Costantini e Francesco Barsotti, em um workshop onde os game devs estavam mostrando uma versão beta do jogo; ele foi o único a conseguir vencer o boss “ridiculamente desbalanceado” da demo. Apesar do seu talento e histórico, ele tem certeza de que aquela façanha foi o que lhe garantiu o emprego.

From adolescence he experimented with music, and his professional career began at the age of 18 as a heavy metal bassist. After four years writing albums and touring around the world playing several festivals with his band, the self-taught musician decided to pursue a music degree in London. It was during college that he met Jonathan Costantini and Francesco Barsotti, at a workshop where the game devs were showcasing an early beta of the game; he was the only person who managed to beat the “ridiculously imbalanced demo boss”. Despite talent and background, he’s sure that feat got him the gig in the first place.

Esta é a primeira incursão do compositor nos jogos e o Sergio gentilmente nos concedeu uma entrevista sobre a experiência, além de nos contar sobre seu background no metal e sua paixão por mesclar as influências mais pesadas com técnicas de composição mais tradicionais, buscando um som orquestral mais moderno, agressivo e ousado, que é sua assinatura.

This is the composer’s first incursion into games and Sergio has kindly given us an interview about the experience, as well as telling us about his metal background and his passion for blending the heavier influences with more traditional compositional techniques, seeking a modern, aggressive, daring orchestral sound, which is his signature.

ENTREVISTA // INTERVIEW

[PT] Vamos começar com uma informação que achei bastante específica e intrigante. Na sua bio do Twitter você declara que espera um dia compor para a trilha sonora de um God Of War. Pode elaborar sobre isso?

Eu sou um ENORME fã da franquia God Of War. A raiva, a agressividade, o poder e o domínio que o Kratos busca são tão legais e se encaixam perfeitamente com o meu amor pelo metal. Minha banda favorita, Trivium, até compôs uma música para o GoW3 que resumiu da maneira mais apropriada a vibe do jogo. E eu amei cada trilha sonora: desde o trabalho da Winifred Phillips no primeiro GoW 1 até o do Bear McCreary no mais recente 2. Então, sim, amo os jogos, as músicas e adoraria fazer parte da franquia de alguma forma no futuro. Work goals!

[ENG] Let’s start with a piece of information that I found very specific and intriguing. On your Twitter’s bio you state that you hope to “one day score a GoW game”. May you elaborate on that?

I am a MASSIVE fan of the God Of War franchise. The anger, the aggression, the power and dominance that Kratos seeks is just so cool, and it ties in perfectly with my love for metal music. My favourite band Trivium even wrote a song for GoW3 which was the most fitting way of summing up the vibe of the game. And I’ve loved every score: from Winifred Phillips’ work on GoW1 3 right till Bear McCreary on the latest one 4 So yes, I love the game, I love the music and I would very much love to be a part of the franchise in some way in the future. Work goals!

[PT] Outro ponto que chamou a minha atenção foram as suas raízes ítalo-hispânicas. Apesar de vivermos uma era globalizada, acredito que as nossas origens sempre moldam as nossas sensibilidades em alguma medida. Você sente que suas origens influenciaram sua sensibilidade artística?

Crescer em Londres com pais imigrantes definitivamente teve um impacto em mim. Minha primeira língua foi o italiano, e por isso eu carrego agora um sotaque inglês meio fajuto! Isso me levou a uma espécie de crise de identidade quando eu era mais jovem. Embora eu não tenha orgulho de ter nenhuma nacionalidade, me sinto muito sortudo por ter sido exposto a 3 culturas ao mesmo tempo. É brutalmente inspirador ver que meus pais saíram de uma origem muito humilde e construíram uma vida incrível para eles e para a nossa família do outro lado do mar. Nunca tive medo de trabalhar duro ou perseguir minhas ambições por esse motivo, e meus pais continuam sendo minha inspiração máxima até hoje. Suponho que isso definitivamente influenciou minhas sensibilidades. E eu também falo muito alto quando estou animado, e minhas mãos estão sempre balançando como um italiano doido!

[ENG] Another point that caught my attention were your Spanish-Italian roots. Although we live in a globalized era, I believe our origins always shape our sensibilities to some extent. Do you feel your origins have influenced your artistic sensibility?

Growing up in London with immigrant parents definitely had an effect on me. The first language I spoke was Italian which is why I now carry a slightly janky English accent! And this led to somewhat of an identity crisis when I was younger. And whilst I’m not proud to be any nationality, I do feel very lucky to have been exposed to 3 cultures all at once. And seeing my parents come from very little to building an incredible life for themselves and our family overseas is brutally inspiring. I’ve never been afraid to work hard or pursue my ambitions for that reason, and my parents remain my ultimate inspiration to this day. I suppose that’s definitely influenced my sensibilities. And also I do shout a lot when I’m excited, and my hands are always waving around like a mad Italian!

[PT] Posso perguntar como é a sua relação com cultura em geral?

Eu constantemente me lembro de como tenho sorte de ter crescido em uma capital para onde tantas pessoas migram (incluindo minha família) a fim de criar uma vida para si: e eu já estou aqui! Muitas pessoas enxergam viver em uma cidade grande como um fardo, mas eu vejo isso como um desafio e uma oportunidade por tantos motivos diferentes. Acho que me encontro em algum lugar entre as 3 culturas diferentes, absorvendo as partes que mais gosto de cada uma.

Como essa relação informa a sua mentalidade criativa?

Viver a vida e se curtir é a única maneira de inspirar suas práticas criativas, sejam elas quais forem. Sou um produto do meu entorno e de minhas experiências, sem os quais não teria nada para inspirar meu trabalho e acabaria achando um fardo. Então eu tento praticar um equilíbrio saudável entre trabalho e prazer para definir como conduzo minha vida. Não quero que meu trabalho me defina, mas, em vez disso, uso-o como um meio de viver a minha versão de uma vida rica.

[ENG] May I ask how is your relationship to culture in general?

I remind myself constantly of how lucky I am to have grown up in a capital where so many people immigrate to (including my family) in order to create a life for themselves: and I’m already here! A lot of people see living in a big city as a burden but I see it as a challenge and an opportunity for so many different reasons. I suppose I find myself somewhere in between all 3 different cultures, taking the parts that I enjoy the most from each.

How does that relationship inform your creative mindset?

Living life and enjoying yourself is the only way to inspire your creative practices, whatever they may be. I am a product of my surroundings and experiences, without which I would have nothing to inspire my work and I’d end up finding my work a burden. So I try to practice a healthy balance of work and pleasure to define how I go about my life. I don’t want my work to define me, but instead use it as a means to live my version of a rich life.

[PT] O que te levou a querer trabalhar com música em primeiro lugar?

Eu queria ser como o Cliff Burton! Haha Meu primeiro instrumento de verdade foi o baixo. Então, depois que eu peguei um pedal de distorção, não havia como me parar!

[ENG] What led you to want to work with music in the first place?

I wanted to be like Cliff Burton! Haha My first proper instrument was the bass guitar. Then after I got a distortion pedal there was no stopping me!

[PT] Você poderia nos contar um pouco sobre sua carreira musical, como passou de músico em turnê a compositor para jogos?

No Ensino Médio eu comecei a ter aulas de baixo enquanto esperava as aulas de guitarra elétrica começarem. Acabei preferindo tocar baixo! A partir daí, aproveitei todos os minutos livres para tocar com os amigos nas salas de música que tínhamos, tocando tudo de Metallica, Sepultura, Green Day, Papa Roach. Meu amor pelo metal realmente começou aí. Logo eu descobri a emoção de tocar ao vivo, quando tinha uns 15 anos, na minha primeira banda que comecei com um grupo dos meus melhores amigos (até hoje!), e desde então eu sabia que queria estar em uma banda. Portanto, a música sempre foi realmente uma paixão e um foco meu, e a partir dos 18 anos transformei a paixão em disciplina: ensaiávamos de 6 a 8 horas por dia, aprimorando nossa arte e, em seguida, passávamos a noite nos promovendo online. Demos tudo de nós por cerca de 3-4 anos. Éramos motivados e apaixonados, mas não havia equilíbrio entre vida pessoal e profissional: era apenas trabalho. No final eu estava exausto, muito infeliz e sem saúde. Minha maior lição dessa experiência foi que trabalhar duro é ótimo, mas apenas se estiver na direção certa. Por essa razão, eu constantemente corrijo minhas ambições para ter certeza de não estar desperdiçando a minha energia indo na direção errada. Depois da banda, decidi redirecionar a minha carreira e buscar re-educação para seguir uma vida de compositor – o resto é história!

[ENG] Could you tell us a bit about your career in music, how you went from a touring musician to a composer scoring for games?

At high school I started taking bass guitar lessons whilst I was waiting for electric guitar lessons to start. Turns out I preferred playing bass anyway! From there, I used every available spare minute to jam with friends in the music rooms we had, playing anything from Metallica, Sepultura, Green Day, Papa Roach songs. My love for heavy music really began there. And then I discovered the thrill of playing live when I was about 15, in my first band, which i started with a group of my best mates (still to this day!) and from then I knew I wanted to be in a band. So music has always really been a passion and a focus of mine, and from 18 onwards I turned the passion into discipline: we’d rehearse 6-8 hours a day, honing our craft, then go on through the evening promoting ourselves online. We gave it everything for about 3-4 years. We were driven and passionate, but there was no work-life balance: it was just work. And by the end I was drained and very unhappy and unhealthy. My biggest lesson from that experience was that working hard is great, but only if it’s in the right direction. For that reason i constantly course correct my ambitions to make sure i’m not wasting my energy moving in the wrong direction. After the band I decided to pivot my career and seek re-education to pursue a life of composing the rest is history!

[PT] Você cresceu jogando? Se sim, isso influenciou de alguma forma a sua decisão de se tornar músico?

Comecei com uma edição limitada de Pokémon do Nintendo64, jogando Pokémon Snap e Mario Party. Então veio o PlayStation Slim. Eu sempre joguei. Os jogos sempre foram meu passatempo e eu os defendia constantemente como um hobby que vale a pena para os meus pais agora, como trabalho com videogames, é muito mais fácil convencê-los! No entanto, eu não diria que isso me influenciou a me tornar um músico. Na época, eu não pensava sobre o som ou a música, não acho que estava devidamente consciente desse aspecto quando era mais jovem. Só depois de jogar Dead Space no PS3 é que comecei a prestar atenção no áudio por trás da jogabilidade. Lembro especificamente de me perguntar “por que essa cena é tão assustadora mesmo quando não há nada acontecendo”. Acontece que o design de som e a música estavam desempenhando um papel maior do que eu poderia ter imaginado.

Que tipos de jogos você gostava de jogar enquanto crescia e quais gosta de jogar agora?

Eu ainda amo qualquer coisa FPS. Acho que fico o mais feliz quando tenho uma arma nas mãos e um monstrão para destruir. Por esse motivo, Doom é minha experiência de jogo ideal, principalmente por causa da trilha sonora brutal que vem com ele. Além disso, adoro aventuras de ação como GoW e horror como TLoU2. Na verdade, acho que este último é o melhor jogo que saiu na última década desde a experiência de jogo, a história e as nuances sociais progressistas que ele toca, que eu acho que o tornarão uma peça de arte culturalmente importante no futuro.

[ENG] Did you grow up playing games? If so, has that influenced your decision to become a musician?

I started on a Pokémon limited edition Nintendo64, playing Pokémon Snap and Mario Party. Then came the slim PS1. I’ve always been playing games though. They were always my passtime and I would constantly defend them as a worthy hobby to my parents – now since I work in video games it’s a lot easier to convince them! I wouldn’t say it influenced me to become a musician though. At the time I wasn’t thinking about the sound or music, I don’t think I was properly conscious of that aspect of it when I was younger. It wasn’t until I played Dead Space on the PS3 that I started to actively pay attention to the audio behind the gameplay. I remember specifically asking myself “I wonder why this scene is so scary even when there’s nothing happening”. Turns out the sound design and music were playing a bigger role than I could have imagined.

What kinds of games did you like growing up and what kinds of games do you like now?

I still love anything FPS. I think I’m happiest when I have a gun in my hands and a big-ass monster to destroy. For that reason Doom is my ideal gaming experience, not least because of the brutal score that comes with it. Aside from that I love action adventures like GoW and dark horrors like TLoU2. I actually think that last one is the best game to have come out in the last decade from the gameplay experience, the story and the progressive social nuances that it touches upon, which I think will make it a very culturally important piece of art in years to come.

[PT] Como você acabou compondo para Eldest Souls? Havia trabalhado em jogos antes?

Enquanto eu estava na faculdade, conheci Jon e Francesco num workshop gratuito onde eles estavam mostrando uma demo super beta do jogo. Tinha esse boss ridiculamente difícil de derrotar e eu fui o único naquele dia que conseguiu passar! Começamos a conversar e eles ficaram felizes por eu poder fazer música e design de som para o jogo. Na época, eu estava apenas animado em poder trabalhar com game devs pela primeira vez e compor alguma música. Não havia expectativas. Se soubéssemos que 3 anos depois estaríamos entregando o jogo em todas as plataformas disponíveis por aí, provavelmente teríamos enlouquecido. Desde então, pude trabalhar em outros jogos e projetos enquanto trabalhava no Eldest Souls, e até comecei a ensinar o que sei para estudantes que querem começar suas carreiras do mesmo modo. Educar e treinar são minhas grandes paixões paralelas.

[ENG] How did you end up scoring Eldest Souls? Had you scored games before?

Whilst I was at uni, I met Jon and Francesco at a free workshop in London where they were showcasing a super early demo of the game. They had this ridiculously difficult boss to defeat and I was the only one that day to get passed it! We started talking and they were happy for me to make some music and sound design for it. At the time I was just excited to work with game devs for the first time and write some music. There were no expectations. Had we known that 3 years later we’d be shipping it on every single platform out there, we’d probably have lost our minds. Since then though, I’ve had time to work on various other games and projects in between my work for Eldest Souls, and even start teaching what I know to students who are looking to start their careers in the same way. Educating and coaching are big passions of mine on the side.

[PT] De onde você tirou inspiração e como foi o processo criativo para Eldest Souls?

O processo criativo foi maravilhoso! Jon e Francesco me deram muita liberdade criativa e espaço para tentar qualquer coisa. Não houve pressão enquanto todos aprendíamos o que se esperava de nós como uma equipe de jogos indie. Esta foi a primeira vez para todos nós ao mesmo tempo, então experienciamos o ambiente de aprendizagem perfeito. Em termos de música, acho que é importante honrar nossas heranças musicais individuais, que no meu caso é o heavy metal. Então decidi me inclinar para esse aspecto de mim mesmo, ainda que usasse instrumentos orquestrais. Acredito que seja um erro comum de compositores jovens e iniciantes colocar essa pressão injusta de tentar criar algo tão único e original que todos irão notar você imediatamente. Em vez disso, sei que a maneira como faço as coisas será naturalmente diferente da de outros compositores, simplesmente porque há apenas um de mim. Construir seu próprio som leva tempo, paciência e amor pelo seu trabalho. Então, as inspirações ainda vinham de minhas bandas favoritas, como Gojira, por sua intensidade e ritmo implacável. Da mesma forma, Trivium e até mesmo alguns riffs de Machine Head foram reconstruídos para compor algumas das minhas faixas, particularmente The Imperator e Lunar Descending, de maneiras que você não seria capaz de reconhecer. Foram bons pontos de partida, contudo.

Além do combate brutal e acelerado, havia ideias de solidão e esperança. O jogo só tem música para as boss fights, deixando para o design de som e trilha ambiente capturar a desolação que o Crusader está enfrentando. Por esta razão eu compus o tema principal numa veia muito diferente. Eu realmente gosto do movimento pós-minimalista que ouvimos na música contemporânea. Artistas como Max Richter e Ólafur Arnalds são uma grande inspiração para mim. Usar melodias repetitivas, assombrosas para reforçar uma ideia. Por este motivo, essa faixa é muito diferente do resto do álbum.

[ENG] Where did you draw inspiration from and how was the creative process for Eldest Souls?

The creative process was blissful! Jon and Francesco gave me plenty of creative freedom and space to try anything. There was no pressure whilst we all learnt what was expected of us as an indie game team. This was a first for all of us at the same time, so it was the perfect learning environment to experience. In terms of music, I think it’s important to honour our individual musical heritages, which in my case is heavy metal music. So I decided to lean into that aspect of myself, even if I was using orchestral instruments. I believe it’s a common mistake of young and beginner composers to put this unfair pressure of trying to create something so unique and original that everyone will notice you straight away. Instead, I know that the way I do things will naturally be different to other composers, quite simply because there’s only one of me. Building your own sound takes time, patience and a love for your work. So inspirations still came from my favourite bands like Gojira, for their intensity and unrelenting pace. Similarly, Trivium and even some Machine Head riffs were reconstructed to write some of my tracks, particularly The Imperator and Lunar Descending, in ways you wouldn’t be able to recognise. They were good starting points though.

Aside from the brutal, fast-paced combat, there were ideas of loneliness and hope. The game only has music for the boss encounters, leaving sound design and ambience to capture the desolation that the Crusader is facing. For that reason I wrote Main Theme in a very different vain. I really enjoy the post-minimalist movement we’re hearing in contemporary music. Artists like Max Richter and Ólafur Arnalds are a big inspiration for me. Using repetitive, haunting melodies to reinforce an idea. For that reason this track is far different to the rest of the album.

[PT] Você trabalhou apenas na trilha sonora ou em outros aspectos do design de som do jogo? Se sim, como foi o processo?

Todo o áudio que você ouve no jogo foi feito por mim. Foi um enorme desafio para o meu primeiro projeto e estou muito feliz por ter escapado ileso! Haha O design de som surgiu quando os caras perguntaram “você gostaria de fazer os sons também?” e eu disse “claro, por que não”. Simples assim. Foley 5 foi uma ótima maneira de obter inspiração no início. Na verdade, no meu canal do YouTube eu documentei os primeiros sons que criei dessa forma e espero que sirva de inspiração para quem estiver tentando começar no design de som por conta própria. Esse processo foi pura diversão. Copiei outros tutoriais e ideias que li em entrevistas de nomes como Gary Hecker e depois conversei com pessoas no Twitter. É simples assim: faça algumas coisas, converse com outras pessoas que sabem muito mais do que você e então aprimore o seu processo.

[ENG] Did you work on the soundtrack only, or did you work on other aspects of the game’s sound design? If so, how was the process?

All the audio you hear in-game was done by me. It was an immense challenge for my first project and I’m just happy to have come out the other side unscathed! Haha The sound design came about when the guys asked “would you like to do the sounds as well?” and I said “sure, why not”. It was as simple as that. Foley 6 was a great way to get inspiration at the start. In fact, on my YouTube I documented the very first sounds I ever created in this way which I hope serves as inspiration for anyone trying to get into sound design themselves. That process was just pure fun. I copied other tutorials and ideas I read in interviews from the likes of Gary Hecker and then talked to people on Twitter. It’s that simple: make some stuff, chat to others who know way more than you then improve your process.

[PT] Em uma nota mais pessoal…

O que inspira a sua criatividade em geral?

Tudo fora da música! Motivação e inspiração são passageiras e pouco confiáveis. Se você acordar uma manhã e não se sentir animado para trabalhar, seu trabalho será prejudicado. Mas adoro cavar mais fundo e descobrir por que estou fazendo tudo isso, e a resposta sempre volta aos objetivos de vida. Estou me esforçando tanto para construir minha carreira para que eu possa trabalhar fazendo algo que amo e desfrutar da vida que quero com meus entes queridos e amigos. Isso significa planejar férias, cozinhar algo novo e sair para aproveitar novas experiências. Eu adoro impulsionar o meu aprendizado em outros aspectos da vida, como consolidar minha fluência em espanhol e italiano, aprender japonês, fazer exercícios e jogar videogame, é claro! Se estou feliz, meu medidor de inspiração está sempre cheio!

[ENG] On a more personal note…

What inspires your creativity in general?

Everything outside of music! Motivation and inspiration are fleeting and unreliable. If you wake up one morning and you don’t feel excited to work, then your work suffers. But I love digging deeper and figuring out why I’m doing it all. And the answer always come back to life goals. I’m pushing so hard to build my career so I can work doing something I love, and afford the life I want to enjoy with my loved ones and friends. That means planning holidays, cooking something new and going out to enjoy new experiences. I love pushing my learning in other aspects of life, such as consolidating my Spanish and Italian fluency, learning Japanese, exercising and playing video games of course! If I’m happy, then my inspiration meter is always full!

[PT] Quais são suas fontes de inspiração na música? Pode citar algumas de suas trilhas sonoras favoritas e por que as ama?

Eu sou um grande fã do MCU. A deixa do Silvestri para a batalha final em Vingadores: Endgame vive na minha cabeça sem pagar aluguel. 7 Eu posso literalmente andar pelas ruas, sem fones de ouvido, tocando aquela trilha na minha cabeça e ainda assim me deixará arrepiado. Esse nível de epopéia e grandeza é algo pelo qual quero me esforçar.

Em termos de jogos, o trabalho de Ilan Eshkeri e Shigeru Umebayashi em Ghost of Tsushima foi tão legal. Fez com que todas as boss fights e batalhas ficassem tão épicas e imersivas. 8

[ENG] What are your biggest sources of inspiration in music? Can you cite some of your favorite scores and why do you love them?

I am a massive MCU fan. Silvestri’s cue for the final battle in Avengers: Endgame lives in my head rent-free. 9 I could literally walk down the streets, with no headphones, play that score in my head and it will still give me goosebumps. That level of epicness and grandeur is something I want to strive for.

In terms of games, Ilan Eshkeri and Shigeru Umebayashi’s work on Ghost of Tsushima was so cool. It made all the boss fights and encounters so epic and immersive. 10

[PT] Você tem algum projeto no forno que queira compartilhar?

Atualmente trabalhando em algumas coisas ainda sob contrato de sigilo, mas nós três do Fallen Flag já estamos desenvolvendo o nosso próximo título, pelo qual estou muito animado. Já está soando como um jogo que mal posso esperar para jogar eu mesmo! Pode até haver um álbum da trilha sonora do Eldest Souls em andamento…

[ENG] Do you have any upcoming projects you’d like to share with us? 

Currently working on a few things still under NDA, but the 3 of us at Fallen Flag are already in development for our next title which I’m very excited about. It’s already sounding like a game I can’t wait to play myself! There might even be an Eldest Souls cover album in the works…

[PT] Por último, mas não menos importante…

Você já esteve no Brasil? Conhece ou gosta de alguma música brasileira?

Ainda não! A América do Sul em geral está na minha lista de desejos, com certeza. Mal posso esperar para assistir ao meu primeiro carnaval brasileiro e experimentar uma picanha autêntica. E sim, a música é ótima quem resiste a dançar um bom samba à moda antiga!

[ENG] Last but not least…

Have you ever been to Brazil? Do you know or like any Brazilian music?

I haven’t yet! South America in general is on my bucket list for sure. I can’t wait to attend my first Brazilian Carnival and try some authentic picanha. And yes, the music is great who can resist dancing to a good old fashioned samba!


 

Um preview do site Hardcore Gamer sugere que Eldest Souls possui uma interpretação única das mecânicas de combate do subgênero souls. Recomendo a leitura, e para quem se interessar, o jogo estará disponível no dia 29 de julho para: Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5, na Steam, Xbox One, Xbox Series X|S.

A preview on Hardcore Gamer suggests that Eldest Souls has a unique interpretation of the combat mechanics of the souls sub-genre. Recommend reading, and for those who are interested, the game will be available on July 29th on: Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5, Steam, Xbox One, Xbox Series X|S. 

Obrigada, Sergio! Espero que este seja o começo de uma carreira muito bem sucedida para o Fallen Flag.

Thanks, Sergio! Hope this is the beginning of a very successful career for Fallen Flag.

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