Carregando...
Artigos

Empatia em Metal Gear: Otacon

[Contém SPOILERS de MGS2, MGS4 e MGSV]

mgs strangelove huey

Em The Phantom Pain, a gente “descobre” (entre aspas porque era previsível desde o Peace Walker) que a Strangelove é mãe do Otacon e que ela quis ter um filho mais para poder passar o legado da The Boss adiante do que por algum instinto materno latente.

“Meus genes, seu meme… o pai seria irrelevante.”

— Strangelove sobre o motivo de gerar um filho, em MGSV. Eu até sentiria pena da “irrelevância” do Huey neste momento se ele não fosse um grande fdp.

Iniclalmente, confesso que eu tinha achado esta decisão narrativa meio nhé.

Tipo, não precisava forçar a barra levando a obsessão da Strangelove pela Boss ao extremo com essa história de filho = vetor de meme.

Refletindo melhor enquanto escrevo uma série de textos sobre empatia em Metal Gear (o próximo está quase saindo do forno), mudei de ideia. Agora acho que fez muito sentido o Kojima ter amarrado as pontas soltas do passado do Otacon desta maneira.

Porque enquanto os outros personagens quase arruínam o mundo tentando usar a razão…

Hal é o coração da série.

Mesmo sem saber, Strangelove conseguiu cumprir seu desejo.

mgs snake otacon

Lição do dia: nunca subestime um otaku.

Dentre os Snakes, Solid foi o único que conseguiu encontrar um caminho alternativo para se libertar do ciclo de violência em que vivia —> graças à amizade com o Otacon.

Juntos, decidiram combater a ameaça dos Metal Gears não com exércitos e retaliações que apenas desencadeariam novas guerras, mas canalizando o poder da informação para o bem maior, investigando e expondo ao público o desenvolvimento clandestino de armas nucleares. Para tal, criaram a ONG Philanthropy, cujo próprio slogan, “To let the world be”, evoca o sentimento da The Boss:

“Boss… você tinha razão. Não é sobre mudar o mundo. É sobre fazer o nosso melhor para deixá-lo como é. É sobre respeitar o arbítrio dos outros e acreditar no nosso. Não foi por isto que você lutou? Finalmente… eu entendo o significado por trás do que você fez. Finalmente… eu entendo a verdade por trás da sua coragem.”

— Big Boss, que levou uma vida inteira para entender algo tão simples, em MGS4

Old Snake ainda seria arrastado uma última vez ao campo de batalha pelo Liquid Ocelot, no conflito com os Patriots. Entretanto, as peças fundamentais para a derrocada da organização totalitária não foram armas ou soldados, mas Otacon e Sunny, um pacifista e uma garotinha. Utilizando o vírus FOXALIVE sob orientação de Naomi Hunter, destruíram definitivamente o sistema que alimentava e controlava a economia da guerra. Em meio a proxy wars travadas por PMCs, inteligência e compaixão venceram a força bruta.

No final, além de poder aproveitar o resto de vida que lhe sobrou longe das batalhas, David ganhou algo que nunca teve: uma família.

Hal Emmerich é, talvez, o personagem que melhor personifica a visão da The Boss: uma pessoa empática que busca a verdadeira paz — aquela que se conquista não lutando, e sim baixando de vez todas as armas.

Uma conexão humana profunda com alguém como o Otacon, que lhes mostrasse uma outra perspectiva baseada em empatia, foi justamente o que faltou para o Major Zero e o Big Boss após a morte da The Boss.

Mas, colocar-se no lugar dos outros — o cerne da empatia — é um exercício de vulnerabilidade. Fechados em suas fortalezas militares, ideológicas e emocionais, os discípulos foram incapazes de captar a essência do sacrifício de sua mentora.

*

NOTAS

— Apenas MORRENDO DE AMOR por: este álbum de fanarts.

— Confira a entrevista que já fizemos com Christopher Randolph, o dublador do Otacon.

— Abaixo, três mensagens que o Chris enviou para o blog.

4 comentários
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *