Têm zumbis no seu gramado? – Entrevista com a PopCap!

Tags: Bejeweled, Bookworm, Brian Fiete, Jason Kapalka, John Vechey, Peggle, Plants vs. Zombies, PopCap, PopCap entrevista, Zuma
John Vechey, Brian Fiete e Jason Kapalka

John Vechey, Brian Fiete e Jason Kapalka

Por Vivi Werneck

Viver de games deve ser o sonho de quatro em cinco jogadores pelo mundo. Mas existe uma pequena (grande!) diferença entre gostar de games e fazer um jogo que os outros se sintam estimulados a jogar. É claro que todos nós já estamos carecas de saber das grandes empresas desenvolvedoras de jogos pelo mundo, como: EA, Ubisoft, Bethesda (hail!), Nintendo… E por aí vai. Mas sabe o que é mais legal? É que, às vezes, o pessoal mais independente do tipo “gente como a gente” (isso mesmo, simples mortais) conseguem se destacar nessa mega indústria de games e ganhar respeito.

Um ótimo exemplo desse pessoal que ama games a ponto de levar isso como meio de vida, é a galera da desenvolvedora de jogos casuais PopCap, fundada em 2000 por John Vechey, Brian Fiete e Jason Kapalka. A nossa querida amiga Rebeca (The Matrix) inclusive já escreveu sobre um dos mais famosos joguinhos dos caras: Plants vs Zombies. Pois bem, meus queridos e pequenos leitores herculoides, em mais uma caçada minuciosa pela net conseguimos conversar com um dos criadores da companhia, o canadense Jason Kapalka, de 39 anos. Então, sem mais enrolação, curtam a entrevista com ele e, principalmente, prestem atenção nas dicas que o senhor Kapalka deu para quem quer fazer seus próprios jogos!

OBS: gostaria de agradecer ao Marcos Venturelli, game designer da Critical Studio, por ter sugerido algumas perguntas.

ENTREVISTA

Girls of War: Quando começou o sonho de fazer games? Conte-nos um pouco sobre o início da PopCap.

Jason Kapalka: Todos os fundadores – eu, John Vechey e Brian Fiete – já trabalhávamos na indústria de games um pouco antes de começarmos a PopCap. Eu já fui jornalista para a “Computer Gaming World” antes de me juntar a uma empresa de web iniciante em São Francisco, onde trabalhei com John e Brian, que já haviam escrito um game de ação para internet chamado “ARC” na época em que eles eram formandos da faculdade, em Indiana.

Então, em 2000, John e Brian estavam trabalhando para a Sierra enquanto eu estava na pogo.com, quando decidimos que poderíamos fazer mais saído de nossos empregos e fazendo nossos próprios jogos. Particularmente, eu já me interessava por jogos desde os tempos de colégio, quando eu já havia escrito vários pequenos games para meu Apple II em BASIC.


GoW: Às vezes alguns desenvolvedores de games sentem-se um pouco amedrontados de enfrentar as grandes indústrias de games do mundo. Como a PopCap conseguiu sobreviver nesta “guerra” e conseguir respeito? Qual o segredo do sucesso de vocês?

Jason: Bem, nós nunca pensamos nisso como uma “guerra”, mas nós realmente tivemos momentos bem difíceis para conseguir o respeito, da já estabilizada indústria de games, por um bom tempo. Companhias como a Eletronic Arts e Activision, isso sem mencionar boa parte dos mais sérios sites e revistas de games, realmente não consideravam os tipos de jogos que estávamos fazendo como games “de verdade”. Eles julgavam nossos jogos como advergames baratos feitos em flash…

Essa atitude mudou, mas levou bastante tempo e o crescimento dos games casuais pelo mundo, em consoles como Wii e DS – e também no PC e na web, fizeram com que as pessoas nos levassem a sério. E o segredo… Bom, a única coisa que eu posso sugerir é que você sempre leve o seu trabalho muito a sério e tente fazê-lo da melhor maneira possível, não se importando para o que os outros pensem sobre isso. Pessoas que tentaram fazer jogos casuais só para conseguir um dinheirinho, sem nenhuma paixão ou interesse por games, geralmente enfrentam mais dificuldades do que imaginam.

Bookworm

Bookworm

GoW: Ao lidar com o problema de adicionar complexidades, na medida em que o game evolui, a maioria das companhias simplesmente acrescentam mais elementos e o jogo aos poucos fica enorme, como em WOW, por exemplo. Em jogos como Peggle e Plants vs Zombies vocês parecem usar o conceito de “recolocar” ao invés de adicionar – como quando mudam entre um poder especial em Peggle ou noite e dia em PvsZ. Isso é intencional? Como vocês conseguem fazer isso funcionar tão bem?

Jason: Essa é uma das grandes coisas que separam os jogos casuais dos hardcore. Jogos hardcore, geralmente, começam simples, mas vão ficando mais e mais complicados com o passar do tempo… Isso pode funcionar muito bem, até você resolver dar um tempo e tentar retomar o game mais tarde, em um ponto em que fica difícil se lembrar como as coisas funcionam. E jogos casuais foram feitos para ser algo que você pode deixar um pouco de lado e voltar depois, e continuar jogando como se você sequer tivesse parado.

Então você não quer aumentar muito o grau de complexidade do jogo. Você quer ter variedade, você quer manter as coisas interessantes… Mas como já notou, isso pode significar mudar alguns elementos, ao invés de adicionar mais e mais coisas novas. Mudar de poderes em Peggle te dá novos desafios sem aumentar a complexidade de forma dramática. Enquanto que em WOW – em nível de comparação – o jogo lhe daria novos poderes mantendo os antigos. Isso te daria muito controle, mas, consequentemente, também aumentaria de forma drástica o nível de complexidade das fases.

Plants vs Zombies

Plants vs Zombies

GoW: Vocês faziam alguma ideia de quão longe a PopCap chegaria?

Jason: Não. Nós éramos homens de negócios muito pobres quando começamos a PopCap. Nossa grande vitória foi simplesmente fazer dinheiro o suficiente para não precisar ter empregos de verdade de novo.

GoW: É interessante como os seus jogos aparentam ser mais difíceis do que eles realmente são. As pessoas constantemente se desesperam quando os zumbis chegam perto das plantas ou quando as “twist bombs” estão acabando. No entanto, a maioria dessas pessoas não perdem tanto em jogos assim. Como vocês alcançaram esse tipo de reação nos jogadores?

Jason: Você quer ter algum desafio no seu jogo, é claro, mas ao mesmo tempo as pessoas não gostam de perder, especialmente em um game casual. Então, nós nos esforçamos para ter certeza de que os perigos no game estejam balanceados. Ou seja, se você está jogando razoavelmente bem, você terá grandes chances de terminar o jogo.

Alguns games, como por exemplo Ninja Gaiden, têm uma perspectiva diferente sobre isso. Eles querem que você perca bastante até que o jogador fique bom o suficiente para vencer o desafio do jogo. Isso até pode ser divertido, se você for um jogador hardcore, mas jogadores casuais tendem a achar isso frustrante. De forma crescente, muitos jogadores hardcore estão começando a admitir que se divertem mais com um jogo desenvolvido para durar 5 horas do que a frustração de passar por dezenas de fases em um game para mais de 50 horas. Então, eu acho que essa política está se tornando cada vez mais comum em todos os lugares no mundo dos games.

Gow: De onde vem a inspiração para os seus games? Vocês têm alguma outra influência?

Jason: Às vezes a inspiração pode ser um jogo de árcade mais antigo, que nós lembremos, ou uma máquina de pachinko, como em Peggle, ou “Tower Defense” em Warcraft III, para Plants vs Zombies. Em outros casos, essa inspiração também pode vir de algum protótipo que estejamos testando, como em Bookworm, do qual não há nenhum outro game “ancestral” a ele, somente a ideia de um jogo com palavras. O estilo da arte de Zuma, por exemplo, foi muito influenciado pelo meu interesse na cultura Asteca.

Peggle

Peggle

GoW: Todos os seus jogos parecem novos e muito diferentes uns dos outros. Como vocês criam novos conceitos para games? Vocês têm uma equipe dedicada para criar protótipos e testar sempre novas ideias, que se transformarão em novos games da PopCap?

Jason: Existem vários times diferentes trabalhando com games o tempo todo, então, muitas vezes eles têm perspectivas muito distintas. Plants vs Zombies, por exemplo, foi criação do time “George Fan”, que também fez “Insaniquarium” para nós. Nessa linha, Peggle é largamente atribuído a Sukhbir Sidhu, um produtor sênior daqui. Eu estou profundamente envolvido com os games Bejeweled e Zuma, enquanto Tysen Henderson está fazendo os jogos do Bookworm.

Todos têm seu próprio estilo diferente e suas preferências, e esses estilos tendem a transparecer na foram em que os jogos são desenvolvidos. Nós fazemos muitas interações durante o desenvolvimento, para garantir que o jogo seja divertido. Nós apenas começamos com um protótipo e nos envolvemos com ele até ficar o mais divertido possível.

GoW: Quais são seus games preferidos e por quê?

Jason: Eu acho que Civilization é o melhor jogo para computador de todos os tempos, e um daqueles que serão lembrados nos próximos 50 a 100 anos. Eu também sinto uma estranha atração por games super complicados no estilo “stealth”, ou meio furtivo, como Nethack e Linley’s Dungeon Crawl, ou Dwarf Fortress, mesmo eles serem o mais distante que se possa chegar de games casuais.

Bejeweled

Bejeweled

GoW: Que conselho você daria para alguém que está tentando fazer games como forma de vida?

Jason: Não vá para nenhuma escola para aprender a fazer games! Arrume um emprego, qualquer emprego, em uma companhia de games e trabalhe sua própria ascensão. Ou, até melhor, reúna algumas pessoas que pensam como você, pessoalmente ou pela internet, e comece a fazer games para já. Existem tantos caminhos para se começar de forma independente hoje, de jogos em Flash a XNA e até aos disponíveis para download. Nunca é fácil fazer um jogo por conta própria que motive as pessoas a jogar. Se você puder produzir um game independente completo, companhias como a PopCap vão considerar que esse esforço valerá mais a pena do que qualquer um outro!

Para quem quiser conhecer mais sobre os jogos da PopCap, não deixe de baixar as demos de:

Plants vs Zombies
Peggle
Zuma
Bejeweled
Bookworm

Vivi Werneck
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20 Comentários em "Têm zumbis no seu gramado? – Entrevista com a PopCap!"
  1. ally666
    04/08/2009

    Mas bah tchê…
    Acordei-me cedo hoje, nesse frio bagual dos pampas e já tens post novo no GoW!
    (Acho que nunca usei tanto o “gauchês” como agora!)

    Muito legal a entrevista, meu sonho também é algum dia trabalhar com games! É como meu pai sempre fala: “O melhor é fazer alguma coisa que você goste”. Apesar que o setor de games no Brasil não é muito desenvolvido, e seria muito difícil no início, exige muito empenho e criatividade pra dar certo…mas enfim, a esperança é a última que morre!

    E esses joguinhos casuais são realmente muito divertidos! É uma coisa inexplicável! Coisas fáceis (ou que parecem ser), mas viciantes, que te prendem por longos minutos (por mais hardcore que você seja…não tem geito)!

  2. 04/08/2009

    A Ironia é que com tanto jogo pedindo PC com configuração parruda, e eu tendo PC pra rodar bem a maioria deles, o que mais me divirto ultimamente é o Plants vs Zombies… o ultimo que lembro de ter me entretido tanto foi o The Witcher, mas esse já nao era “casual”

    Legal a entrevista, Vivi. Parabens.

  3. 04/08/2009

    […] E por aí vai. Mas sabe o que é mais legal? É que, às vezes, o pessoal mais inde… leia mais fonte: […]

  4. Shadow Warrior
    04/08/2009

    Gostei muito da entrevista, eles até me inspiraram a terminar alguns joguinhos que eu estava fazendo e ficaram inacabados.
    A popularidade dos jogos casuais aumentou muito nos últimos anos e talvez eles dominem o mercado de games novamente.

    • 04/08/2009

      é como o jason mesmo falou. quem quer fazer jogos independentes tem que meter a cara e ir fazendo mesmo. o mercado é difícil, mas eles provaram que não é impossível e tem muita gente aqui no Brasil que tb pensa assim e já está tendo destaque no mercado de jogos, como o pessoal do game Choice, que venceu o mundial de games Imagine Cup, no Egito, em julho desse ano, e a galera do HIVE que venceu o XNA Challenge 2009 tb! O negócio é não desanimar!

      A propósito Shadow, qd vc estiver já estiver com a demo do seu jogo pronta, manda p gente testar! :D

      • Shadow Warrior
        04/08/2009

        Pode deixar…assim que ele estiver jogável eu mando pra vocês avaliarem.
        Só não esperem um MGS ou um FF, ainda estou estou “engatinhando” na área de criação de jogos. XD

  5. 04/08/2009

    parabéns pela entrevista meninas ^^
    e o que ele comentou nela é verdade. tem quem se esqueça que a principal função de um game é ele divertir vc.
    apesar de eu gostar de ninja gaiden 2, mesmo apanhando feito uma vadia para terminar. XD

  6. 04/08/2009

    saco, meu comentário caiu no filtro, mesmo ele nem sendo perigoso XD

    enfim, é bom saber que graças a internet jogos mais “casuais” estão dando espaço a quem começa na área de games. e é bom sair de vez em quando de um universo de testosterona em q seus personagens falam arrotando.

    • 04/08/2009

      pronto thy! esse wordpress é maluco! rss. e o q vc falou é fato: as vezes é bom jogar algo menos psycho p relaxar! rss

      • 04/08/2009

        nao consigo imaginar vc jogando plants vs zombies sem ser torcendo pros zumbis, haeuhaeuaeh

  7. 04/08/2009

    Muito legal a entrevista Vivi.
    As vezes, como foi dito, um jogo casual dá mais vontade de jogar que um jogo hardcore. E no quesito jogos casuais a PopCap é demais!
    Baixei a demo de Plants Vs Zombie esses dias, e as vezes até me vejo na dúvida entre jogar FFVII e PvZ. E quase sempre perfiro o PvZ.
    Dá mais vontade você jogar um jogo (¬¬) que vcê sabe que em 5 minutos você vai terminar uma fase, do que um jogo em que você fica quase 15 minutos numa batalha.

  8. 04/08/2009

    Legal mesmo a entrevista!

    eu tenho idéia de desenvolver jogos daqui a uns tempos, so que deve ser muito dificil entrar nessa área, como os caras falaram

    jogos casuais acabam sendo mais divertidos se você não esta afim de “ir pra guerra” e jogar algo hardcore…

  9. 04/08/2009

    A industria de games no Brasil é a mesma dos EUA e Japao na decada de 80 e 90. Ela está caminhando muito bem de foma lenta e gradual e para quem quer seguir é meter a cara nos livros e foruns e estudar e colocar em prática. Fazer jogos sozinho não é bom, na minha opiniao, pois se vc quer ser programador ou desenhistas ou game designer fugirá do seu foco. Quando decidir entrar de cabeça na área de game designer, reuniu com varias pessoas (de diferentes regiões do pais com diferentes habilidades) e decidimos fazer um jogo. Por enquanto o projeto está caminhando muito bem. Espero que fique bom :D

  10. aureliox
    04/08/2009

    Também achei o máximo a entrevista. Inspiradora!
    Acho que todo gamer já sentiu vontade de criar seus próprios jogos. Eu mesmo já fiz uns bons no RPG Maker huahuahua. Mas é incrível como por trás dos bonequinhos mais toscos existe um inferno de programação, de trabalho, de paciência!

    E eu não sabia que o Bejeweled era de criação deles!! Meu Deus, só jogaço!

  11. 04/08/2009

    verdade! além d muito simpático nem me enrolou muito pra responder! já na semana seguinte já estava com a entrevista! :D

  12. Fabão Estácio
    05/08/2009

    uhauahuha q bacana, semana passada eu tinha enviado um e-mail pra vcs sugerindo q entrevistassem a Laura Shigihara q fez o som e a musica do PvsZ, sem saber q uma entrevista com a galera do PopCap já estava a caminho. fiquei muito satisfeito, a entrevista ficou nota 10, parabéns garotas XD

    e esse PvsZ é realmente muito bom, quem ainda não jogou eu recomendo testar.

    • 05/08/2009

      Recebemos seu email Fabão! Inclusive já entrei em contato com a Laura Shigihara e ela topou fazer a entrevista! Valeu pelo toque! uuuiii… rsrsrs

      bjos

  13. aureliox
    05/08/2009

    Quando cheguei na fase da água no PvsZ apanhei e não joguei mais Mas um dia eu termino! U.U

    Ninguém perguntou sobre aqueles zumbis Michael Jacksons que aparecem de vez em quando no jogo. Agora que ele morreu…

  14. Anonimo
    13/08/2009

    Bela entrevista!
    Tempos atrás, joguei muuuuuuuito o Insaniquarium, depois desisti, e hoje jogo muitíssimo o Plantas vs. Zumbis > um dos melhores games que já joguei!

  15. 07/11/2009

    […] (Se o link não funcionar, tente estes outros: #1, #2, #3 ou #4 – Entrevista com os criadores) […]

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