Profissões Gamers: Tradutor

Tags: jogos em português, jogos em pt-br, profissões gamers, tradução, translation

Muitos de vocês sonham em trabalhar com games, não é mesmo? Imagino que alguns já saibam mais ou menos o que pretendem fazer, enquanto outros não tem ideia de onde começar.

Pensando nisso, resolvi criar esta coluna ao estilo da Sobre Mulheres e Games, mas com depoimentos de pessoas que trabalham, de alguma forma, com os nossos amados jogos eletrônicos. Conhecer experiências de quem já está no mercado é fundamental aos que desejam seguir o mesmo caminho.

O primeiro convidado da série Profissões Gamers é um tradutor! Agora que mais títulos estão sendo localizados para a nossa língua, o mercado gamer está aquecendo para os profissionais de tradução inglês-português. Se você tem afinidade com essa área, leia o depoimento de Fabio Macedo, que faz traduções como freelancer para grandes empresas – ele só não pode contar de quais jogos por causa dos contratos de confidencialidade.

 

– O que te levou a cursar Letras? Sempre pensou em trabalhar traduzindo/revisando games ou isso aconteceu por acidente?

Fabio: Um pouco de tudo. Quando tinha 18 anos, optei por fazer Editoração em vez de Letras, e depois achei que era hora de me formar em outra coisa. Fui fazer Letras porque estava trabalhando em uma escola e pensei em fazer licenciatura e dar aula. E me arrependi amargamente, porque descobri que não tinha estômago para ser professor com toda a doutrinação ideológica e antiprodutiva do sistema educacional brasileiro. Mas sempre podia traduzir…

Então foi meio que por acidente, e uma coisa levou à outra. Comecei a traduzir como freelancer para tirar um extra; a escola me mandou embora pra contratar um estagiário no lugar; continuei traduzindo enquanto procurava emprego; um dos meus clientes abriu uma posição de Gerente de Projeto e me entrevistou; e durante os 3 anos que fiquei nessa agência, ela conseguiu alguns clientes na área de games. Vale dizer que eu nunca tive vergonha de demonstrar que games eram meu hobby principal: se não o tivesse feito, não teriam passado esses trabalhos extras pra mim, e sim para algum tradutor externo. Moral da história: não pode ter vergonha de ser jogador. Tem é que mostrar que isso não interfere na sua vida e seu trabalho.

 

– Qual caminho precisou trilhar, após o curso, para chegar onde está?

Fabio: Em termos de idioma, não tenho nada: certificado de inglês, intercâmbio ou especialização. Também nunca viajei para um país de língua inglesa. Mas eu sempre estudei/pratiquei como dava: foram quatro anos de Fisk e Cultura Inglesa, e depois consumindo cultura no idioma inglês desde os 14-15 anos sem parar. Primeiro foi música, depois quadrinhos, depois livros de RPG, séries de TV e hoje games. Nunca deixei de ler, assistir ou ouvir algo em inglês ***todo santo dia*** desde que tive meu primeiro computador com Internet, e nunca o fiz por obrigação e sim com coisas que eu gostava. Se você pratica dessa maneira você aprende.

Quanto à profissão de tradutor em si, a história é outra. Traduzir não é só abrir o Word, o documento original, um dicionário online e sair escrevendo. Primeiro, não pode ter horário nem tempo ruim: se você não aceitar aquela tradução mandada às 6 da tarde de sexta para entregar segunda de manhã, o cliente vai esquecer de você e passar a usar outro, então dá-lhe pique e estoque de café. Segundo, há os softwares da área que você precisa aprender a usar: não há mais mercado hoje para tradutor que não saiba usar Trados, Wordfast ou programas semelhantes. E na área de localização de software/games em especial, você ainda vai ter que lidar com programas proprietários/não-comerciais, como o Microsoft Loc Studio. Esse eu recebi um dia junto com a tradução e tive que aprender a usar na marra para entregá-la no dia seguinte. Ou seja, se não tiver um bom nível de informática, também não rola. E até alguma grana, também: o software mais famoso/usado por empresas, o Trados, custa literalmente centenas de euros. E o que me abriu a porta pro mercado internacional foi me inscrever em um site de profissionais da área cuja anuidade é de 120 dólares.

 

– Como é a profissão e o mercado de tradução/revisão de games?

Fabio: A maior dificuldade pro freelancer sempre são os prazos e conseguir manter pelo menos um pouco de controle. Você precisa sempre prestar atenção no quanto realmente rende (quantas palavras por hora/dia) para não se perder e descobrir de última hora que vai ter que varar a noite sem dormir para cumprir um prazo – ou pior, atrasar. Por outro lado, é um prazer poder acordar tarde em determinados dias (não muitos) ou, de vez em quando, ter uma tarde livre para variar.

Vagas de contratado são raras e vão ficar cada vez mais, porque não compensa para nenhum dos dois lados graças aos encargos trabalhistas. Mesmo que você procure em empresas da sua área de especialidade, a grande maioria vai optar por terceirizar a tradução por comodidade e custos. Veja o mundo dos consoles, por exemplo: Sony e Microsoft terceirizam a localização de jogos e a Nintendo, os releases e documentos sobre os games dela. Ou seja, mais de 75% do trabalho das três grandes é feito por agências externas. E essa tendência existe em todos os níveis: a maioria das ofertas de trabalho de games nos sites especializados para tradutores são de jogos de navegador, Facebook, ou iPhone/Android.

O prazer maior, é claro, é travar contato com o material de antemão. Fora que as traduções ficam melhores e mais naturais; quando se conhece o assunto, mais rapidamente você chega à melhor solução para uma frase ou trecho. Por outro lado, traduzir games é um desafio curioso porque, na prática, existem games sobre tudo. Um dia, você está traduzindo parágrafos sobre um mundo ficcional com referências medievais e sci-fi ao mesmo tempo; no outro, está traduzindo as falas de um narrador esportivo, e no terceiro, um jogo infantil com diversas referências a ilhas e piratas. É bom não apenas ter uma boa cultura geral, mas a capacidade de pesquisar sobre praticamente qualquer coisa. Tem horas que dá nos nervos, mas é gratificante no final, porque bem ou mal você está sempre acrescentando conhecimento à sua bagagem.

PS: Vale também dizer que, como freelancer, você provavelmente *não* vai conseguir viver traduzindo só games. O mercado brasileiro de localização ainda não está bom assim, e a maioria dos games são traduzidos na mesma época do ano (verão no hemisfério norte, para sair a tempo do Natal). Eu complemento minha renda com traduções de TI e administração, senão passava fome.

Ufa, acho que é isso.  :)

*******************************************

Realmente, a vida dos tradutores no mundo dos games não é fácil…

 

Outro dia eu estava conversando com o Fabio sobre o porquê de haver tantas traduções medíocres de games para o português. Muitas empresas contratam profissionais autônomos pouco qualificados, às vezes até sem formação alguma, por comodidade e redução de custos (como citado no depoimento), e o trabalho sai aquela “maravilha”. Eventualmente a empresa percebe a mancada após levar críticas e tem que correr atrás para consertar a tradução, gastando mais. Ele disse que perdeu a conta de quantas vezes foi procurado por empresas nessa exata situação.

Enfim, deu para ter uma boa noção dos perrengues e alegrias da vida de um tradutor, né?  ^^

 

– Clique aqui para visitar o blog do Fabio

– Clique aqui para ler a análise incrível que ele fez de GTA

Bebs
Share on Tumblr
Feed do Post
34 Comentários em "Profissões Gamers: Tradutor"
  1. Leonardo
    31/07/2011

    Adorei a coluna: muito bem pensado. Excelente ideia essa de dar umas luzes sobre as oportunidades de emprego nos videojogos e ainda para mais com alguém que tem experiência nessa área. Tou mesmo “UAU”. A entrevista está muito boa. Parabéns por ambas.
    Existem certas traduções que metem dó já que são feitas por tipos que nem sequer são gamers pelo que não sabem do que se Trata e pensam que “Vampire Killer” é só um título e escrevem “caçador de vampiros” com letra minúscula, quando é o tão conhecido nome do chicote mais famoso!
    Ainda ontem (que coincidência!) estava a ver os empregos no site da Nintendo e vi uma vaga para tradutor Inglês-Português e Japonês -Português. Se eu pudesse candidatava-me logo à 1ª, apesar de ser em Frankfurt. Já me estava a imaginar a traduzir os manuais de Castlevania, Metal Gear e outros XD. Adorava poder contribuir para bons manuais, depois da miséria que eram os manuais em PT, neste caso do Castlevania HofD: fofocópias dobradas. Na Sony eu não sei quanto a jogos mas,pelo menos a PS3 vem em Português de Portugal (e aí no Brasil também!?) mas a Nintendo 3DS (não sou fanboy) já vem em Português.

    • 31/07/2011

      Leonardo escreveu:
      “Existem certas traduções que metem dó já que são feitas por tipos que nem sequer são gamers pelo que não sabem do que se Trata e pensam que “Vampire Killer” é só um título e escrevem “caçador de vampiros” com letra minúscula, quando é o tão conhecido nome do chicote mais famoso!”

      Olha, eu não sou de poupar ninguém e digo logo de cara: sim, tem gente que não está acostumada com traduções na área, diz que já fez trabalhos em games/que os joga (só porque passa um tempo no Farmville…), e acaba estragando tudo. Há profissionais ruins, como em qualquer profissão.

      Mas parte da responsabilidade para casos como esse do “Vampire Killer” pode ser da empresa também. Às vezes o material é entregue sem contexto nenhum, com prazo apertado e sem canal de contato com os designers e afins que escolheram o nome do chicote em primeiro lugar. Aí fica difícil pro tradutor acertar (embora a parte das minúsculas seja responsabilidade dele, sim: se você encontra algo em maiúsculas no original, assume-se que é algo especial, certo?).

      Por sorte, quando você começa a trabalhar com agências especializadas e big publishers, isso não acontece. Hoje, quando eu recebo algo pra traduzir, junto vem literalmente 5 a 10 arquivos de referência – character bible, glossário, planilha de perguntas e respostas do cliente, a tradução do jogo anterior na série, terminologia aprovada da plataforma (PS3, X360, PC)… Em um jogo tive acesso até a vídeos. Aí não tem desculpa, é só a qualidade do tradutor mesmo. Mas isso é um processo que envolve mais do que tradução, e sim localização e gerenciamento – e a empresa tem que investir nisso. Eu posso dizer que a Microsoft é campeã nesse quesito, e não foi à toa que o resultado melhorou de, digamos, Halo 3 para Halo: Reach.

      Leonardo escreveu:
      “Na Sony eu não sei quanto a jogos mas,pelo menos a PS3 vem em Português de Portugal (e aí no Brasil também!?) mas a Nintendo 3DS (não sou fanboy) já vem em Português.”

      O PS3 aqui vem com Português de Portugal e não brasileiro, pelo que me lembro. Não sei porque o comprei importado antes de lançarem aqui no ano passado, e o meu tem só de Portugal. O 3DS veio em português brasileiro, inclusive, o que já demonstra comprometimento com o mercado local.

  2. 31/07/2011

    Muito bacana o depoimento.

    O Fábio deu um misto de sorte com esforço. Entendo que não é tão simples conseguir trabalho de tradução mesmo que freelance, uma vez que conheço vários amigos formados em Tradução e Interpretação que estão ralando para tirar registro e trabalhar na área. Tem que se literalmente agradecer a Deus o que conseguir e varar noites para terminar dentro do prazo.

    Estou no último semestre de letras português/inglês, e manjo relativamente bem de inglês, mas não me imagino trabalhando com tradução. É meio surreal para mim. Eu fiz a facul porque queria dar aula (e até lecionei durante um tempo), mas agora já estou saindo da área para ingressar na indústria como instrumentista (também estou acabando o curso de instrumentação esse ano). Enfim, trabalhar em qualquer coisa não ligada a games.

    Por mais que eu goste de games, sempre tive a impressão de que trabalhar com isso, seja produzindo / analisando / dublando / traduzindo era só para um seleto grupo de sortudos. Nunca encarei isso como uma realidade profissional.

    • 31/07/2011

      Como sempre digo, até existe a questão de ter oportunidade, mas você precisa sempre estar preparado para agarrá-la quando ela surgir. Uma coisa que vi com frequência na faculdade em relação à atitude dos tradutores é que todos têm algum tipo de reserva. Uns não gostam de revisar, outros de traduzir texto técnico, outros de usar programa tal, e outros não querem fazer serviços na área X ou Y. Uns ficam ofendidos de receber material em cima da hora, outros não sabem dizer não e acabam pegando mais do que conseguem dar conta (e queimam o filme com atrasos), e outros não querem pegar cargos de gerência e administração.

      Por mim, tudo bem. Mas é aí que você não consegue trabalhos, seja na área que quer ou não. :)

      Sobre traduzir em si, a minha esposa diz a mesma coisa – ela é professora de inglês. E chegamos à conclusão de que gostar de idiomas e de traduzir não são coisas tão correlatas quanto parecem. Gostar de aprender/falar idiomas é uma questão de comunicação, enquanto tradução tem muito de resolver enigmas e achar a melhor solução para algo.

      Levando pro mundo gamer, falar/ensinar inglês está para tradução como jogos de ação/aventura estão para puzzles: não é porque Zelda e God of War têm alguns puzzles que todo mundo que os joga vai se interessar por Professor Layton ou Ace Attorney.

  3. The Punisher
    31/07/2011

    Bacana Bebs, outro relato para a área de games.

    PS.: Já pensou se as empresas tratassem os tradutores da mesma forma que o Kratos?

  4. 31/07/2011

    Como diz aquele velho ditado em Latim: Tradutori traitori.
    Não gosto de tradução nenhuma, prefiro aprender e entender o máximo possível do jogo na língua original. Ainda vou aprender japonês só pra rejogar jogos e entender melhor o enredo assim.

    PS: até filmes ou desenhos dublados e até mesmo legendados são um lixo, principalmente os de humor, tem muita piada que se perde o sentido fácil quando traduzida, é deprimente.

    • 31/07/2011

      Sabe o que é pior? É que como um gamer com bom inglês, eu vivo a exata mesma situação – não compro absolutamente nada dublado se puder evitar. O que é um paradoxo soda: se todo mundo pensasse assim e tivesse um bom nível de inglês, eu não teria trabalho na área mais :)

      A solução mais suave pro caso das piadas e afins depende muito da natureza do material original e da noção do detentor dele. É claro que existem maus tradutores, especialmente aqueles que não vivem a língua e não conseguem identificar expressões idiomáticas, mas o problema não é só esse: via de regra, o tradutor profissional não vai adaptar um texto por conta própria. E no caso de piadas/referências/trocadilhos, às vezes é preciso adaptar pra realidade local.

      Quando o cliente está acessível e há tempo hábil, você consegue acertar isso – mas na maior parte das vezes, o tradutor tem que achar uma solução logo e torcer pro cliente aprovar depois quando entregar o pacote inteiro. Nessas horas, você não vai arriscar e mudar o texto, e sim traduzir literalmente para não ter problema. Já tive que fazer isso um par de vezes – por sorte, nenhuma delas em games (ainda).

      • 31/07/2011

        Eu até penso no caso dos tradutores cara, mas pra mim que já tenho uma boa manha de inglês não rola. Eu leio a parada em inglês e leio qualquer possível tradução e acho que nenhuma serve.

        Já até pensei em ser tradutor, mas não adianta. Jogar o jogo entendendo o enredo no idioma original é algo impagável. Eu aconselho direto todo mundo que conheço e gosta de jogos a aprender mais de inglês, o jogo toma um gosto muito especial e você vai depender menos de detonados.

        Admiro e acho lindo o trabalho dos tradutores, mas infelizmente jogar uma tradução pra mim é inviável. É como ver os filmes de Lord of the Rings sem ter lido os livros.

        • 01/08/2011

          Esse é exatamente o tipo de caso em que bons tradutores vão achar soluções viáveis… Desde que tenham prazo e carta branca do cliente. Sem autorização expressa ou na correria, viraria “meu macaco não é mais curioso” mesmo. E não adianta chorar – porque nós achamos a solução boa, mas se o cliente não achar, adeus trabalho. A vida é assim, o freguês sempre tem razão e todos em volta choram.

          • Bebs
            01/08/2011

            Verdade. Muitas vezes o profissional tem boas soluções, mas pega cliente intransigente e fica de mãos atadas. Designers também passam muito por isso.

        • 01/08/2011

          Designers, tradutores, fotógrafos, videomakers…

    • The Punisher
      01/08/2011

      Eu já não vejo o menor problema em algo ser legendado agora ser for dublado já é outra história, pois eu sempre preferi ouvir o áudio original seja em filme, desenhos, séries, games etc.

  5. 31/07/2011

    Ai Bébs, idéia ÓTIMA de fazer posts das profissões gamers! Eu sou muito interessada na área e como muita gente não faço idéia de por onde começar! *-*

  6. 31/07/2011

    Eu vinha pensando em entrar nessa área de traduções após concluir a faculdade (nem entrei pra dizer a verdade).
    Eu queria muito mesmo fazer história, mas no Brasil não tem investimento para historiador, financiar estudos acadêmicos e muito menos professores (por isso que eu também não me consigo ver como uma professora, ou não quero ser).
    Letras é a segunda area de humanas que eu posso tentar fazer algo diferente, como trabalhar com tradução. Se eu consiguir entrar agora na federal, provavelmente vou começar com inglês, mas almejo ser poliglota. Minha mãe, que foi professora de inglês e português vem financiando meu sonho (tentei a casa de cultura britânica recentemente, mas não consegui entrar, vou fazer curso de inglês, e depois que estiver dentro da federal vou tentar para lá de novo).
    Agora quanto as questões de traduções e free lancer, eu não sei realmente se eu vou conseguir fazer um bom trabalho quando conseguir começar. Um trabalho sem rotina para mim é bem melhor que sair de casa todo o santo dia para encarar um bando de gente que quer sempre lhe passar a perna para conseguir seu lugar no escritório, então eu gosto mesmo de trabalhar a distância, e só. E sou bem perfeccionista, e geralmente tenho medo de fazer um trabalho que saia algo errado (assim sujando meu nome). Mas acho que isso eu aprendo com a vida (a fazer direito, até porque ainda sou muito nova).
    Até lá, vou tentar estagios, estudos, e as oportunidades que me surgirem para seguir em frente (porque realmente se você ficar parado, você não sai do lugar. Além de estar sempre se atualiazando, tem que correr atrás mesmo).
    Ficou kilometrico meu comentário O.O
    Só queria dizer para finalizar que eu leio o blog do Fábio e adorei o trabalho dele, e parabens pelo o post Bebs :D

    • 01/08/2011

      Valeu Anne!

      Dica: trabalho sem rotina é legal, mas em geral é bom ter experiência no trabalho rotineiro antes de encarar uma vida de autônomo, que não é mole.

      A boa notícia é que, em geral, trabalho contratado na área não tem esse clima de escritório, desde que você consiga um emprego em uma agência *de tradução* (em vez de no departamento de localização de uma empresa de outra coisa, por exemplo).

      Como ali dentro só tem tradutores e gerentes, a relação e o ambiente são outros. E pela própria natureza da profissão – ficar lendo e escrevendo textos o dia todo – o contato com os colegas é mínimo.

    • Bebs
      01/08/2011

      Pensei em você quando convidei o Fabio. Lembrei daquele post em que você falou do desejo de fazer Letras. :)

      • 02/08/2011

        Nossa Bebs! LOL
        Eu já tinha comentado aqui mesmo que queria fazer letras *acho que foi até naquele post das legendas LOL do Mortal Kombat em portugues*
        Enfim, valeu pela a dica Fábio! Eu estou pensando em arrumar estágio enquanto eu estiver dentro do curso, então acho que é uma boa pedida tentar um trabalho rotineiro antes de começar como freelancer.

  7. 01/08/2011

    Muito bacana o depoimento. É legal saber destas coisas diretamente de quem convive e entende do assunto. Nunca me passou pela cabeça trabalhar com tradução de games e tal, e agora tenho certeza de que não vai nem passar.

  8. Hélio
    01/08/2011

    Vc falou de traduções medíocres e postou um vídeo perfeito pra isso. O cara escreveu “proteger” com “j”, e não “g”. //
    Bom, eu realmente não sinto nenhuma falta das traduções, pois sempre prefiro o idioma original, mas admito que isso ajuda a quem não tem intimidade com a língua ainda.
    Lembro q uma vez fui jogar Dante’s Inferno em espanhol e, meu Deus, como achei ruim! Se a tradução já me desagrada, imaginem as dublagens!
    Na medida do possível, aprender inglês é sempre ótimo. Eu mesmo aprendi a maior parte do que sei jogando RPGs e vendo filmes na TV a cabo. Nada como ouvir a entonação original dos atores e as suas vozes dizendo tudo no idioma original. Acho muito difícil me acostumar a ouvir um personagem falando numa língua e depois jogar o game em outra. Irrita os ouvidos.
    Anyway, bom trabalho do rapaz. Pelo menos ele está ajudando quem não conhece o inglês bem a curtir os seus games entendendo tudo.

  9. 01/08/2011

    Por falar nisso vi em um site por ai que a Nintendo esta contratando tradutores e dubladores no Brasil.

    • 02/08/2011

      Não tem muito o que explicar, é isso aí. Se olharem no site da Nintendo, tinha duas vagas lá (não sei se ainda estão) e na descrição já diz que as vagas são em Redmond, nos EUA.
      Eu fiz alguns press releases da Nintendo divulgados na E3 via agência onde trabalhava, e cheguei a mandar currículo pra eles um pouco antes dessas vagas serem publicadas. Mas como não tenho green card, a coisa não andou.
      É a vida, fazer o quê? É que há alguns tradutores brasileiros morando nos EUA já, a própria agência onde trabalhava tinha dois desses na lista de tradutores freelance. E é por isso que eu vou pro Canadá assim que der.

  10. @Sandrolsa
    01/08/2011

    Rapaz, olha eu aqui dinovo (:
    acho que o mercado brasileiro de games está evoluindo sim, mas esta tão lento que da até sono. As traduções são “fáceis” para as empresas o que falta é interesse. As dublagens por outro lado têm uma grande busca mas falta profissionais. Até pensei que estávamos avançando melhor quando vi o Halo 3 e Starcraft.

    Não sei se estou certo nessa opinião, mas é assim que está pra mim. O que vocês acham? (:

  11. @Sandrolsa
    01/08/2011

    Intendo, isso explica a diferença de dublagem do Halo 3 e Starcraft 2 (:

    • 02/08/2011

      Eu não posso falar que jogos estou fazendo, mas posso dizer que estou fazendo-os através de uma agência europeia de localização que é especializada, na verdade, em dublagem. Boa parte do que mexi é script de áudio. Aliás, esse é um dos maiores motivos da confidencialidade – os jogos em que trabalhei já foram anunciados faz tempo e é normal esperar que eles venham com legendas em português… Mas a *dublagem* deles ainda não foi divulgada, então preciso deixar quieto.

      E se vocês gostaram de Halo 3, provavelmente vão gostar do trabalho dessa agência, mesmo sendo europeia.

  12. Jhun
    01/08/2011

    Sinceramente a vida de tradutor não é mole mesmo. Apesar de não trabalhar com o isso, faço por hobbie no Gamevício. Não adianta ir só traduzindo do Inglês pro Português. É necessário entender o contexto para que se possa adaptar o texto para a nossa língua. Devido ao fato de lá termos alguns projetos que são abertos para a participação de todos, muitas pessoas não fazem um trabalho decente e perdemos muito tempo com revisando erros excessivos e retraduzindo tudo. Não basta apenas usar o Google Tradutor. Mas… estamos ae.

    A última tradução que participei foi a do The Witcher, um trabalho que levou muito tempo. Hoje, devido ao meu trabalho (sou desenvolvedor, logo não tenho muita vida =D) não posso atuar com tanta frequência, quem dirá trabalhar como freelancer. Mas sempre que posso estou colaborando lá. Posso afirmar que é um trabalho que me traz muita satisfação.
    Não tenho curso nem nada. O que aprendi foi na base de muito esforço. Horas de Chrono Trigger com o dicionário ao lado. rsrsrsr. Como o Fábio falou, se você se dedicar, com certeza chega lá.
    Ótimo post Bebs. Ficarei no aguardo das outras profissões, principalmente a de desenvolvedores de games (carreira essa que pretendo seguir em breve ^^ )

    • 02/08/2011

      Só pra reiterar, eu acredito que muito em breve a necessidade por universidades e diplomas tradicionais vai diminuir, e muito. No mundo de hoje, esses lugares não formam mais, e sim deformam. Instituições desse porte são grandes, “lentas” e “pesadas” demais para acompanhar a evolução do mundo e do mercado (fora a carga ideológica que empesteia o mundo acadêmico e emperra qualquer tentativa de produzir algo de útil no meio, especialmente na área de humanas).

      Toda essa volta é pra dizer o seguinte: por mais que não vá passar a mão na cabeça de certas traduções só porque foram feitas de graça, a verdade é que ninguém precisa de diploma, curso, certificado ou whatever se for bom e dedicado, e as empresas estão cada vez mais percebendo isso. Isto é, o pessoal que rala no GameVício está a um ou dois passos de virarem profissionais. É só estudarem/continuarem estudando, aprenderem a usar um ou dois programas de memória de tradução e pronto. Só não recomendo colocar os trabalhos do GameVício no currículo, principalmente se tiverem consciência de que sempre há aventureiros nesse tipo de empreitada – ninguém quer sofrer pela imagem de amadorismo dos outros, certo? :)

  13. Mih
    01/08/2011

    Adorei a entrevista Bebs ^^ Putz,agora bateu saudade dos tempos em que eu jogava Super Mario 64 com um dicionário do lado xD

    “Muitas empresas contratam profissionais autônomos pouco qualificados, às vezes até sem formação alguma, por comodidade e redução de custos (como citado no depoimento), e o trabalho sai aquela ‘maravilha’.”Era exatamente isso que eu queria saber ^^

    Exemplo disso:
    http://jogos.uol.com.br/ultimas-noticias/2011/04/12/com-erros-de-gramatica-e-ortografia-mortal-kombat-mata-ate-o-portugues.htm

    • The Punisher
      01/08/2011

      A legenda do MK foi uma coisa realmente deprimente, talvez seja até exagero meu, mas a meu ver chega a ser uma falta de respeito com nós gamers/consumidores que tem que pagar/aguentar um trabalho tão mal feito.

      • 02/08/2011

        Sabe o que acontece? É que, na verdade, mesmo tradução ruim geralmente funciona quando o mercado é tão carente como o brasileiro.

        É como a questão da EA tornar alguns jogos semi-exclusivos do Origin (The Old Republic, Battlefield 3) e não disponibilizá-los no Steam. Pro PC gamer arraigado, o Steam é bom demais e é legal ter todos os jogos no mesmo serviço, e esse pessoal pode até boicotar Battlefield 3… Mas na prática, 95% dos interessados no jogo e que não têm console vão comprar a versão PC como for necessário, em disco ou na Origin. A EA não é boba, ela sabe disso e não vai agir diferente a não ser que o boicote seja realmente universal.

        Mesma coisa com as traduções: os gamers mais arraigados podem até achar falta de respeito, se sentirem ofendidos etc., mas para a maioria dos jogadores, só o fato de MK ter legenda já é um plus na hora de decidir se ele vai comprar MK ou outro jogo. O que importa pra ele é conseguir entender as falas. Se bobear, os erros viram até motivo de nostalgia depos – vide All Your Base Are Belong to Us, A Winner Is You e outros casos clássicos da localização do japonês pro inglês.

    • 02/08/2011

      Mih, vale a pena deixar claro que a terceirização em si não é o problema. Pelo contrário, é solução, especialmente em países com altos encargos trabalhistas como no Brasil: a empresa gasta menos, e o tradutor ganha mais como freelancer e tem mais liberdade para trabalhar. O que não pode é deixar de ter o mesmo rigor na hora de selecionar freelance que se teria ao selecionar um funcionário, ou contratar alguém que não seja falante nativo, ou contratar uma agência qualquer sem experiência no ramo, e assim por diante. Se eu pudesse mostrar o processo da agência para o qual presto serviços, vocês veriam como esse é o tipo de situação em que o terceiro tem um processo muito mais meticuloso do que o próprio cliente jamais seria capaz de fazer – exatamente porque o cliente não é do ramo de localização, e sim de desenvolviment/promoção de jogos.

      O que pega também é que tradução, assim como webdesign e outras profissões, é uma área em que parece fácil simplesmente pegar um livro e sair fazendo. Muitos brasileiros no exterior que estejam com dificuldade de arrumar emprego vão pensar em traduzir para complementar renda, por exemplo – afinal, eles estão falando a língua estrangeira todo dia. O problema é que isso não supre coisas como bom senso, experiência na área do texto sendo traduzido, ou falta de cultura geral. Muitas vezes, contexto e bom senso são dez vezes mais importantes do que o conhecimento da língua. Para descobrir o que significa uma expressão ou palavra, não faltam dicionários e fontes online hoje em dia; agora, perceber que “bear with me” em um jogo com *ursos* é um trocadilho infame, e que “halo grunt” em um jogo para Xbox não se refere a um soldado raso com auréola de anjinho… Exige um pouco mais do que bom inglês. :)

  14. 05/08/2011

    O problema dessa coisa de freelancer é que ele nem sempre tem um diretor de arte orientando o seu trabalho. Geralmente isso interfere na harmonia do jogo.

  15. Romildo Lima
    11/10/2013

    Não concordo com Fie Cruz porque se leva a sério mesmo o que fala, então vai ter aprender todas as línguas do mundo. Se ver um filme Alemão vai ter que ver aprender Alemão, se ver um filme Iraniano vai ter que aprender Iraniano, Se ver um Filme Chinês vai ter que aprender Mandarim, e etc…

Crie uma conta no gravatar.com para colocar sua foto nos comentários.

Sempre que comentar em algum blog com o email cadastrado, aparecerá sua imagem.