Freud explica: Pyramid Head e Maria em Silent Hill 2

Tags: james sunderland, konami, maria, pyramid head, silent hill 2, team silent

Este artigo é uma continuação direta de Freud explica: Angela e Eddie em Silent Hill 2 e o Ministério da Saúde adverte: é necessário ter lido o anterior para continuar aqui. ;)

sh2 james espelho

Vergonha pelo fracasso como companheiro, por não ter sido forte o suficiente para suportar a esposa doente até o fim. Culpa por uma parte de si tê-la odiado e desejado sua morte, e por ter sucumbido à covardia. Perplexidade ao descobrir-se uma pessoa capaz de matar, e pior, matar quem deveria amar e proteger. Pânico ao perceber que não havia mais volta.

Como não enlouquecer?

sh2 wall

Se interpretarmos a experiência sob a ótica freudiana, jogar Silent Hill 2 é testemunhar o Id e o Superego de James disputando cabo de guerra, enquanto seu Ego tenta debilmente criar mecanismos psicológicos de defesa para suprimir o desespero por ter falhado com Mary.

Maria é a manifestação do Id, o compartimento mental que guarda instintos primitivos como a sexualidade e a agressividade. Ela encarna uma projeção de como James, inconscientemente, idealizava a companheira perfeita — a aparência e maneirismos provocativos evocam desejos reprimidos. Suas mortes sempre brutais e sangrentas sugerem impulsos agressivos contidos.

“That thing… it stabbed you! There was blood everywhere!”

Pyramid Head representa o Superego, a parte responsável por manter os impulsos do Id sob controle. Para a voz da consciência que pune severamente com o peso da culpa, não haveria manifestação mais apropriada do que a figura de um carrasco implacável, neste caso derivada de uma possível associação subconsciente de James com a imagem de um executor que ele teria visto em visitas anteriores à cidade.

“That’s why I needed you… Needed someone to punish me for my sins…”

Maria e Pyramid Head são duas forças contrárias lutando para dominar a psiquê de James. Um lado fraqueja diante da tentação, o outro arrependido deseja se punir.

 

[1º ROUND] 1×0 PARA O ID

sh2 ph grades

A primeira aparição de Pyramid Head é discreta, atrás das grades num corredor do Wood Side Apartments, a uma distância temporariamente segura. Embora ele permaneça completamente imóvel, sua presença emana uma aura ameaçadora. O Superego está vigilante.

James tentava chegar ao Rosewater Park, entretanto, passagens bloqueadas obrigaram-no a desviar pelos prédios dos condomínios. No quarto 205 ele encontra a lanterna num manequim com roupas iguais às de Mary. O simbolismo é bem claro: a luz conduzirá à verdade. Mas, neste ponto ele ainda não tem coragem de encará-la. Prosseguimos.

sh2 flashlight

Numa sacada narrativa bastante perspicaz, além dos obstáculos no caminho até ela, Maria é inserida na trama logo depois da primeira boss fight do jogo, quando James enfrenta seu algoz no Blue Creek Apartments até este se retirar ao toque de uma sirene.

Afugentar o Pyramid Head é rejeitar a verdade, e somente após esta primeira vitória sobre o Superego é que o Id consegue, enfim, emergir. Consequentemente, James chega ao parque e encontra Maria.

sh2 pyramid head fight

Ripa de Madeira Man VS Giant Ginsu Samurai

“You’re not friends with that red pyramid thing, are you?”

James pergunta para o Eddie um pouco mais à frente.

Até aí, that Red Pyramid Thing se limitava a dar pinta em lugares (aparentemente) aleatórios e atacar umas mannequins aqui e acolá, mas quando Maria aparece a criatura entra em modo kill on sight. O foco agora é exterminá-la, quantas vezes forem necessárias.

sh2 maria

“Do I look like your girlfriend?”

[2º ROUND] SUPEREGO RECUPERA VANTAGEM

Entregar-se a impulsos irracionais é assombrosamente tentador quando estes oferecem uma saída “fácil” para os problemas. Contudo, uma esposa doente terminal não é algo que se possa simplesmente apagar da memória, substituir por uma versão imaginária turbinada. O Superego percebeu a ameaça do Id e não vai permitir que a verdade seja impedida de vir à tona.

Pyramid Head passa a perseguir James e Maria, que seguiram para o hospital Brookhaven. As interações com Angela, Eddie e Laura, que ajudam a dissolver lentamente a névoa da ilusão, dão reforço ao Superego e assim Maria enfraquece. As rédeas do Id estão afrouxando.

A mulher “perfeita”, de repente, está “defeituosa”. É como se Maria fosse gradativamente contaminada pelas lembranças dolorosas indesejáveis, ficando cada vez mais fraca, confusa e carente. Seu corpo adoece e ela precisa de descanso no hospital, seu humor começa a oscilar violentamente.

“James… wait a minute… I’m kind of tired. It’s just a hangover…”

“You were gonna just leave me? With all these monsters around? I’m all alone here. Everyone else is gone. I look like Mary… don’t I? You loved her, right? Or maybe… you hated her.”

Estando em vantagem, o Superego vem com uma investida pesada contra o Id: Pyramid Head ressurge quando a dupla tenta fugir pelo elevador no porão do hospital e assassina cruelmente Maria na frente de James, deixando-o completamente atônito.

 

[3º ROUND] ÚLTIMA CHANCE PARA O ID

James segue para a Silent Hill Historical Society, onde tem acesso à Toluca Prison, e faz mais algumas descobertas até parar num labirinto surreal que sequer possui mapa. Conclua o estado mental do rapaz a esta altura.

Lá ele reencontra Maria misteriosamente viva, mas presa numa espécie de cela. James perdeu o contato com seus desejos, a parte dele que resiste à verdade está quase se entregando. O Id está sendo domado e, como último recurso de sobrevivência, assume trejeitos de Mary e apela para a manipulação.

“It doesn’t matter who I am. I’m here for you, James. See? I’m real. Don’t you wanna touch me?”

“Come and get me. I can’t do anything through these bars.”

Ela incita James a achar um jeito de tirá-la da cela, mas morre novamente.

sh2 maria beaten

Tá foda, hein Maria?

 

[FINAL ROUND] SUPEREGO SUPER SAYAJIN

No último estágio do jogo, James pega um barquinho rumo ao special place que Mary falava na carta: Lakeview, o hotel onde o casal havia se hospedado em Silent Hill. Aqui ele relembra o sufocamento da esposa quando assiste à fatídica fita cassete no quarto 312.

sh2 boat

Olha aí de novo a metáfora de seguir a luz para encontrar a verdade.

 

Finalmente a ilusão é desfeita.

Um James conformado segue para o lobby do hotel e se depara com isso…

sh2 maria death

A construção imagética dessa cena é brilhante, um equilíbrio perfeito entre pungência visual e sutileza narrativa.

O Superego, agora dominante, está em posição de poder, encarando James desafiadoramente de um patamar mais alto. As proporções do enorme salão vazio fazem com que o rapaz pareça ainda menor e mais frágil diante da imponência dos carrascos.

Não restam mais defesas psicológicas, o peso na consciência atingiu o limite do insuportável.

Maria completamente dominada, presa de cabeça para baixo antes de morrer pela última vez, representa o triunfo do Superego finalmente subjugando o Id (até então, conseguia apenas silenciá-lo temporariamente). É uma visão bastante emblemática.

 

Abre parênteses…

Sobre a aparição do segundo Pyramid Head, gosto de utilizar uma analogia nerd: Power-up!

Apesar do Pyramid Head conter um subtexto sexual, o que ele simboliza, de fato, é a culpa de James por ter sido capaz de cometer um assassinato. Há duas teorias principais sobre isso: 1) a nova culpa seria ligada à Maria; 2) ou ao assassinato de Eddie. Particularmente, eu me alinho mais com a segunda alternativa.

Primeiro porque naquele ponto não havia motivos para sentir culpa pela Maria, já estava claro que ela não era alguém real. Eddie Dombrowski, sim, era uma pessoa real e James havia ficado bastante chocado ao matá-lo.

“Eddie? Eddie? I… I killed a… a human being… A human being…”

Daí começa a suspeitar de si próprio.

“Mary… Did you really die three years ago…?”

Convenientemente, só depois da morte de Eddie é que o segundo Pyramid Head aparece. Ao olharmos no inventário a carta da Mary, agora ela estará em branco.

Há também a metáfora dos ovos que os PH deixam para desbloquear a última porta (que leva à boss final). Rust-colored Egg, o ovo enferrujado, simboliza sangue coagulado, a culpa antiga pelo assassinato da Mary; Scarlet Egg, o ovo vermelho vivo, cor de sangue fresco, a culpa pelo assassinato recente do Eddie.

Com duas mortes nas costas, não dava mais para o James continuar negando que, sob pressão, ele foi, sim, perfeitamente capaz de cometer atos de violência. Então o Superego, que estava tentando provar exatamente este ponto, duplicou sua força. (Power-up!)

… fecha parênteses.

 

Mas por que a luta não vai até o fim? Por que ao invés de derrotarmos os malditos, eles se matam? (Alguém deve estar se perguntando.)

sh2 pyramid heads

Digo que este era o único resultado possível. James não vence o Superego, ele o aceita (ora, se tivesse vencido significaria continuar em negação). Como os carrascos cumpriram seu papel de forçá-lo a reconhecer o erro, o trabalho foi concluído e puderam se retirar da batalha.

Um Superego vitorioso não precisa mais se manifestar.

sh2 hallway

No fim das contas, o único antagonista do James era si mesmo.

Tendo superado seu conflito interior, James pôde finalmente recobrar as memórias perdidas (ouvindo os flashbacks no corredor infinito) e confrontar a verdade (encontrando a Mary). Ao reviver o ato de matar a esposa, na derradeira boss fight, James Sunderland fecha o ciclo da redenção para se libertar e seguir em frente.

sh2 rooftop

Ou não, dependendo do final que você pegar.

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NOTAS

* Quando a boss fight acaba, somos obrigados a dar um tiro de misericórdia para finalizar a Mary. Se não atiramos, a coitada fica agonizando no chão e o jogo não fecha. É bem triste, dá um nó na garganta, mas extremamente importante para a narrativa. James precisava reviver o ato para aceitar definitivamente que matou a esposa.

Alguns anos depois, essa cena de SH2 foi a primeira coisa que lembrei quando cheguei na parte em que MGS3 nos obriga a fazer algo parecido (quem jogou sabe do que estou falando).

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* É interessante notar como as grades indicam mudanças na escala de poder entre o Pyramid Head e a Maria ao longo do jogo. Inicialmente, com James em plena negação, a criatura é quem está “presa”, pois o Superego ainda não tem poder suficiente sobre a psiquê do protagonista. Ao final, o Id perdeu sua força e Maria ressurge confinada.

A metáfora também está no contexto visual: PH aparece num corredor estreito e escuro com grades duplas e barras tortas (o Superego precisa quebrar barreiras, pois para James é mais tentador ceder aos impulsos do Id); Maria aparece num quarto similar a uma cela (Maria presa = Id dominado), com elementos que remetem à Mary (a cama).

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* No mês passado, o dublador do James (Guy Cihi) participou de uma live de SH2 e usou uma metáfora interessante para a relação James-Mary durante a doença dela.

“It’s very complicated, but I won’t describe her as a leech. I mean, his whole life revolved around her. It’s almost like he was a leech on her. But she’s dying, the host is dying and he’s dying with her, and he has to cut it off, otherwise he’s going to perish. And then he’s, like, totally adrift when she’s gone and meaningless. Now, if he transfers the meaning of his life to Laura, then he can survive and continue. But if he doesn’t… he’s gotta go for a swim“.

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Até a próxima! I’ll see you in my restless dreams

Bebs
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14 Comentários em "Freud explica: Pyramid Head e Maria em Silent Hill 2"
  1. 06/03/2015

    Poxa, muito interessante a maneira de abordar o game e a análise parece sucinta. Parabéns!

  2. Hélio
    12/03/2015

    Bom artigo, Bebs. Me lembrou de continuar a jogar a série SH, pois zerei o primeiro há não tanto tempo, espero q o segundo seja tão bom qto. ^^

  3. 15/03/2015

    excelente texto. eu joguei silent hill até a parte em que fiquei preso em um estúpido enigma do código da porta. coloquei no nível hard de riddles e empaquei. perdi a vontade de continuar, pois o enigma não faz sentido. o enredo deste jogo parece ser muito bom. pena que quase tudo em torno dele gire em torno de especulações de fãs. muita coisa fica subentendida e os criadores estão hagando e andando pra quem jogou e não conseguiu entender muita coisa, pois muita coisa realmente foi feita pra não ser entendida. acho isso meio triste, pois uma boa história não precisa esconder nada e deixar de explicar pra criar mistério. essa falta de explicações diretas nos jogos me afastou bastante da série ao longo dos anos.

  4. 16/03/2015

    Perfeito! SH é mto material pra especulação mesmo, e na minha opinião essa é a parte legal da coisa. De fato se colocarmos as coisas sob essa ótica dá pra entender tudo o que rola no game. Tbm acredito que a morte do Eddie é que tenha gerado o segundo Pyramid Head.

  5. 31/03/2015

    Cê conseguiu o final suicida pela primeira vez né? Eu também! XD

    Eu já não consigo me apegar muito a essa teoria de que o segundo PH é pela culpa da morte do Eddie, pra mim não funciona no modus operandi do James. Sem contar que ele não teve tanto contato a ponto de criar laços com Eddie, pois tanto ele quanto Angela são suportes, lembra? Talvez a culpa seja por causa da Maria sim!! Sabe pq?

    “Primeiro porque naquele ponto não havia motivos para sentir culpa pela Maria, já estava claro que ela não era alguém real.”

    Você está vendo tudo pelo lado de fora da caixa. A própria cena da cela só reforça que ele acreditava que Maria era sim real, se ele não se importasse com ela, não tentaria salvá-la (e querer fazer coisinhas mais, of course). Claro, isso tudo foi antes dele ver o videotape, mas devemos lembrar que Maria fala: “Doesn’t matter who I’m. I’m here for you James.” E se James tacou um dane-se na parada toda e resolveu acreditar que ela fosse real?

    E outra, também há o mini-game da Maria. E nos fazemos outras perguntas: Até que ponto um ser que pensa, age, tem sentimentos, tem memórias (por mais que sejam falsas) não é real? Até que ponto Maria é independente do James? “See? I’m real!” Na minha opinião, Maria é bem real sim, mas apenas no outro mundo, no mundo alterado.

    E aí chegamos a um dos múltiplos finais: em um deles você pode terminar ignorando a Mary e terminar com Maria. Tudo só dependeria da escolha dele, e caso ele resolvesse continuar no mundo alterado, em sua fantasia biruta… Isso só reforça a ideia que ele acreditava na existência dela sim, e poderia sofrer por ela, pois já tinha criado laços muito mais fortes do que com Eddie e Angela.

    • Bebs
      31/03/2015

      Nunca consigo lembrar qual final peguei da primeira vez. T_T

      Na cena da cela o James já estava duvidando se a Maria era real ou não (por isso ela tenta convencê-lo dizendo que “não importa quem eu sou, see, I’m real”). Quando ele chega no lobby com os dois PH, já havia sacado que nada ali era real (dá pra ver pelo que ele fala quando cai de joelhos e se lamenta).

      Antes o James estava em negação, então ele não atribuía a culpa pelas mortes da Maria a si próprio, e sim àquela “criatura” do além que os estava perseguindo. Mas como ele foi o agente direto na morte do Eddie, sentiu a culpa de maneira mais visceral (não por ter criado laços, mas pelo choque de ter sido capaz de matar um ser humano, “I… killed… a human being?”).

      Já no final em que o James fica com a Maria, não creio que ele resolve voltar atrás e acreditar que ela era real porque criou laços, mas porque “precisa”. Ele decide abraçar a fraqueza, digamos assim, e ficar com a ilusão porque não se sente forte o suficiente pra viver com a verdade.

      Mas claro que esta é só a minha interpretação pessoal. :)

      • 31/03/2015

        Eu acho que podemos chegar em duas conclusões ao menos:

        1) Com certeza Eddie foi o gatilho para James entender que matou Maria. É, esta teoria dos segundo PH pela morte do Eddie por estar certa.

        2) Pelo menos no final da Maria, ele acreditava que ela era real. Agora, sobre da relação de James com Maria, pelo menos neste final, eu consigo encaixar na ótica jogo que os laços dos dois começam a ficar visíveis bem antes. Pq ele “precisa” dela, pode não ser por causa de um laço, vínculo emocional anterior, mas viria a construir isso ao longo do jogo.

        Sobre James se lascar, acho que se lascaria de qualquer jeito! hehe Até pq o final que todo mundo mais aceita é justamente o que ele se suicida no lago. Na primeira vez fiquei bem revoltado, mas hoje prefiro acreditar que James é um caso irremediável, ele só foi afundando mais e mais (afundando? olha mais metáfora neste final aí minha gente! rs).

        • Bebs
          01/04/2015

          “In Water” foi o primeiro que você pegou, mas qual seu final favorito hoje em dia, Fe?

          • 01/04/2015

            Gosto muito do final que ele termina com a Maria. E gostei ainda mais quando joguei o mini-game dela (eu era viciado haha). Eu fico com um pouco de pena da personagem, acho que é tão triste! :(

  6. Jess
    10/05/2015

    Ótima análise, adorei a abordagem :). Joguei SH2 várias vezes e acho a coisa mais interessante é que a história e os acontecimentos são muito interpretativos. Como o Fire, gosto muito do final Maria, depois que joguei o mini-game dela e finalizei o jogo várias vezes, passei a enxergar nela, algo mais que uma ilusão, pois ela pensa e age de forma independente, se a cidade possui poderes para tornar os sentimentos de culpa, dor ou sofrimento em criaturas reais como no SH1, porque não podem fazer lembranças se tornarem algo real tbm? Eu sinto pena dela tb rsrs, no Born from a Wish, mostra que ela não sabia de sua natureza e nem mesmo da existência de James, só no decorrer do mini-game que passa a ter memorias de Mary e mesmo sabendo o que ela é de fato no final e que ele só estava procurando pela esposa e não se importava de verdade,como o Ernest mesmo diz, ela sente um amor tão profundo que passa a vagar na cidade em busca de James para ficarem juntos e faz qualquer coisa para isso, pois ele é tudo pra ela. Inclusive, vi uma imagem interessante de Maria e Laura sentadas juntas no muro em que James conversa com Laura a primeira vez.

  7. VandeK
    26/05/2015

    Demais seus artigos de SH2!! Parabéns!
    Nunca imaginei que o enredo pudesse ser esse.
    Estou preso naquela parte do elevador, na qual temos que deixar todos os itens no armário. Já fiz isso, mas continua tocando o alarme. Talvez algum bug.

    Mais uma.vez parabéns pelos artigos!

  8. Frederico
    11/12/2016

    Olá Rebecca. À quanto tempo! Já faz alguns anos que me afastei desse site. Resolvi dar uma breve olhadinha depois de tanto tempo e me deparei com esse maravilhoso artigo aqui redigido por você. Parabéns pela abordagem.
    Antes de expressar minha opinião gostaria de declarar aqui que Silent Hill 2 não é um bom jogo de videogames. Silent Hill 2 é uma verdadeira obra-prima dessa indústria. Em todos os sentidos possíveis e aferíveis. Na minha opinião, o melhor survival horror da história dos videogames. Está no meu “top five” de jogos que marcaram e mudaram a minha vida. Compartilhamos da mesma e intença paixão por este jogo, querida. Acredite!

    Falando dele, acho que 99% de quem jogou SH2 na vida fez o final “In Water” na primeira concluída, até porque, fazer os outros finais requerem alguns procedimentos que são, ao meu ver, bem difíceis de serem descobertos por quem acabou de conhecer o jogo. Inclusive, é bom que se saiba que este final é o verdadeiro final de SH2. Isso dito pelo próprio produtor do jogo, Masahiro Ito, para mim no Twitter à alguns anos atrás. Ele me disse que “esse é o único “ending” que faz algum sentido para a história do jogo e para a construção da personagem James Sanderland”. Palavras do próprio Ito-San. Inclusive, também, ele está explicitamente descrito no livro que foi lançado sobre a série como trecho de uma carta escrita pelo pai de James onde ele declara que seu filho e nora morreram afogados após um acidente de carro. Se não estou enganado, acho que essa carta pode ser encontrada no jogo SH4 – The Room também.

    Com relação a Maria, acho um total absurdo que James terminasse com ela indo embora naquele final, que pra mim é o mais “nosense” de todos eles, tendo em vista que ela simplesmente não existe. Maria foi apenas uma projeção da mente doentia e perturbada de James que foi materializada assim que ele colocou os pés na cidade. Bem antes dele sequer tê-la encontrado no parque, dando sentido total àquela parte em que Maria é jogável sem nem ter conhecimento da existência de James Sanderland. A mesma coisa ocorreu para com o Pyramid Head, o seu carrasco perseguidor durante todo o jogo. Maria foi projetada pela sua mente da forma que ele sempre “desejou” que sua esposa(Mary) fosse: Bonita, gostosa, sensual, ousada(roupas) e excitante. Já o PH foi uma projeção da imagem de um quadro que James viu no museu em visita anterior à cidade, onde havia um executor de sentenças segurando uma lança todo sujo de sangue e usando um capuz vermelho e pontudo. Concordo que a aparição de dois PHs no confronto final tenha sido devido ao fato do assassinato de Eddie Dombrowsky, mas isso, pra mim, ainda não é conclusivo. O fato dos PHs terem se suicidado ocorreu porque durante a batalha o surto psicótico pelo qual James sofreu o jogo inteiro tinha terminado, e ele se lembrara que tinha matado a esposa por sufocamento em casa. Como ele assumiu seu pecado, os algozes perderam sua função de puni-lo e simplesmente abandonaram a luta. Discordo em relação aos ovos que destravaram a porta. Pra mim, um deles, sem vida, fosco e mais desgastado, foi a representação de Mary doente, deformada, desfigurada e moribunda em cima de uma cama, e o outro, vermelho, a cor do pecado, do sexo e do tesão, foi a representação de Maria, por quem James nutriu desejos carnais o jogo inteiro juntamente com a imagem idêntica ao que gostaria que sua esposa fosse um dia. Mas, também considero bem coerente a possibilidade que citaram aí em cima dizendo que os ovos poderiam representar a morte de Mary, pelo mais tosco e desgastado(por ter sido assassinada já em estado terminal da doença) e o de cor mais viva representar a morte de Eddie, bem mais recente e latente no currículo psicológico doentio de James.

    Bom, enfim, essas foram minhas considerações. O debate está ótimo e os comentários muito produtivos, esclarecedores e opinativos. É sempre muito prazeroso pra mim debater sobre Silent Hill 2. Eu AMO esse jogo de paixão!

    Abraço à todos e um beijo grande, Rebecca.

  9. Vitor
    25/01/2017

    Texto maravilhoso, parabéns. Terminei o jogo ontem pela primeira vez, e até agora estou estasiado com tudo o q vi. Que obra de arte é esse jogo. E que bom ter essa análise tão bacana.
    Ah, consegui o final Leave, q pelo q me falaram é o melhor de todos :)

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