Fallout 4: a guerra pode mudar

Tags: action rpg, análise, Bethesda, Fallout, fallout 3, fallout 4, review, RPG

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A série Fallout, assim como todos os jogos de mundo aberto da Bethesda, oferece uma infinidade de possibilidades de novas histórias, novos conflitos, novas escolhas. Diante de tantas variáveis de narrativa, como tentar reinventar a fórmula consagrada de Fallout 3? Bom, a meu ver, a desenvolvedora conseguiu. Veja a seguir o porquê.

Primeiramente, vou me ater a comparar este último jogo com Fallout 3, pois é (era) o melhor da série para mim até agora. Poderia comparar com o Fallout New Vegas, mas prefiro acreditar que isso nunca existiu e foi apenas um protótipo lançado por engano de algum funcionário novato.

Gostaria também de deixar claro que o objetivo dessa análise não é ser um detonado, ou passar detalhes minuciosos de cada recurso disponível. Isso vocês podem pesquisar aos montes nos grandes sites de jogos. Pretendo, com esse texto, descrever algumas das minhas impressões principais da narrativa e gameplay desse ótimo game. Da forma mais pessoal possível.

Novo começo…

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Diferente dos outros jogos da série, em Fallout 4 você não mais começa o jogo como uma cria de alguma Vault, os famosos abrigos nucleares do game. Pela primeira vez, há um vislumbre do mundo antes da Grande Guerra, que varreu a Terra numa onda de radioatividade, destruição e originou baratas mutantes asquerosas (como se elas já não fossem antes). Seu (sua) personagem começa como uma pessoa feliz, em família, cuidando do sua esposa (ou marido) e do pequeno Shaun – o filho do casal. Tudo isso sob o olhar atento do robô mordomo Codsworth (adoro ele!).

Toda a paz e vida pacata leva uma bela de uma sacudida após a visita de um vendedor da Vault-Tec e, sem demorar muito, você já se vê tendo que fugir com sua família para uma dessas vaults. Aí é que tudo começa de verdade. Para não estragar o ponto alto da experiência desse prólogo, vou apenas dizer que toda a missão principal focará na sua jornada para encontrar seu filho. Uma dica: depois de escapar da vault que se encontra, assim que puder, volta a ela. Há algumas coisinhas legais e uma arma muito boa para pegar por lá.

Mais do mesmo, mas agora mais legal

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Ao colocar os pés para fora da sua vault, o jogo se torna o que sempre foi: um enorme mundo aberto com centenas de possibilidades para se explorar, fazer, olhar, lutar, catar, matar, morrer e por aí vai. A sensação de se sentir perdido, sem saber por onde começar, é bem comum. Outra dica é partir para a primeira missão marcada em seu Pip-Boy logo de cara. Ela pode te ajudar a organizar as ideias.

De uma forma geral, Fallout 4 é bem intuitivo de se aprender – em relação a controles e navegação pelo mundo. Quem jogou Fallout 3 notará que não houve muitas mudanças e vai se adaptar mais rápido ainda. Minha crítica sobre a curva de aprendizado do jogo vai para o gameplay dos assentamentos. Sim, agora você poderá ter seus próprios “terreninhos” para construir, cultivar e proteger. Se tudo estiver bem, algumas pessoas da Comunidade (nome dado a região em que o game se passa) podem se juntar a você.

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A crítica, como eu havia dito, vem na hora de administrar recursos, delegar funções para os residentes, criar rotas comerciais e, principalmente, fazer a ligação elétrica das casas e outros equipamentos que precisem de energia. Tudo, nesse caso, é meio que na experimentação, quebrar muita a cabeça e – finalmente – aprender. No caso da construção das partes elétricas eu, particularmente, ainda estou apanhando um pouco. Sem novidades por aqui, sempre fui péssima nessa matéria na época do colégio.

As vantagens de se construir assentamentos “chave” de sucesso vão desde ter suprimentos e matérias-primas disponíveis em quase qualquer lugar, gerar renda, ter gente do seu lado para patrulhar a Comunidade e vários lugares diferentes para entocar suas bugigangas. Não vejo como seja humanamente possível tornar todos os assentamentos verdadeiras metrópoles (isso se você tem vida além do videogame), mas focando bem em dois deles, por exemplo, e criando rotas comerciais para os menores já vai ajudar bastante, acredite. Ah, é possível encontrar Power Armors pelo mundo e fazer upgrades nelas nas oficinas dos assentamentos.

Companheiros de aventura…

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Dogmeat (o cachorro que aparece em Fallout 3) está de volta, ou algum filhote dele que colocaram o mesmo nome. Um pouco menos inútil agora, é possível usar o amigo canino para farejar pistas e itens escondidos. Ah, ele ataca os inimigos também. Muito fofinho, mas assim que você encontrar outras opções de companhia é quase certo que vai entocá-lo na primeira casinha de cachorro que encontrar em algum assentamento seu.

Particularmente, e isso é um gosto altamente pessoal, prefiro viajar com o Codsworth (aquele seu mordomo robótico do prólogo). Além dele conseguir carregar mais bugigangas que a maioria dos “companions”, ele te dá água filtrada vez ou outra e não precisa que você gaste seus preciosos Stimpacks (a poção de cura do jogo) com ele, caso o robô caia em batalha.

Outra opção bacana é poder viajar por aí com o Super Mutante “domesticado” Strong, ou mesmo com o detetive Valentine – que é um sintético, androide criado pelo Instituto que conseguiu fugir. Há algumas outras opções de companheiros de viagem também. É só sair por aí e, com sorte, esbarrar com alguns deles.

Facções: “choose your destiny”

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Mencionei, logo acima, sobre o Instituto e resolvi criar mais este tópico para não deixar ninguém boiando. Em Fallout 4 é possível se unir a quatro diferentes facções pela Comunidade, e essa também entra como uma novidade desse título. Há mais facções espalhadas por aí, mas estas são as principais e que têm impacto direto na história.

O Instituto é tido como o vilão do jogo, acusado de ser o responsável pelo rapto de inúmeras pessoas substituindo-as por sintéticos, androides idênticos ao ser humano e impossíveis de distingui-los a olho nu. A existência dos sintéticos é, inclusive, um dos grandes plots de narrativa do game e lida com o tema polêmico de aceitar ou não quem é diferente. É claro que você, como protagonista, terá que fazer essa escolha também.

Falando dos sintéticos, outra grande facção se chama Ferrovia – formada pelos sintéticos que conseguiram fugir do Instituto e agora apenas querem uma chance de viver em paz e em liberdade, desejo difícil levando em conta que a maioria dos humanos os rejeita e os caça. Você, se encontrá-los, também terá a oportunidade de ajudá-los (ou não).

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Com a ideologia fixa de que todo o mal da Comunidade está centrado no Instituto e seus sintéticos, a Irmandade de Aço está de volta e você terá a opção de se filiar a eles para varrer o mundo destas abominações, sob o ponto de vista deles é claro. Acredito que você já deve ter percebido, até aqui, que existem facções conflitantes. Não que você não possa se filiar a todas elas no início, mas em algum momento crítico você terá que tomar um lado… E aniquilar o outro. É a guerra, fazer o que.

Finalmente, a última, mas não menos importante, facção é a formada pelos Minutemen, que são os protetores mais próximos do povão e começa tão lascada quanto eles. Esta é a facção mais neutra do game. Seus únicos inimigos são o Instituto, ou seja, eles não ligarão se você escolher a Irmandade de Aço ou a Ferrovia, por exemplo. É este grupo, inclusive, o responsável por te passar as missões dos assentamentos.

Vale à pena jogar?

Sim! Mil vezes sim! Bugs à parte (salve sempre, pelo amor de Deus!), Fallout 4 é uma daquelas experiências únicas de imersão em um game. A história principal pode não ter sido a melhor já contada pela Bethesda, mas os personagens parecem estar mais “humanizados” tanto em seus sentimentos, como na forma que enxergam e sobrevivem nesse mundo agora em meio ao caos. Centenas de possibilidades a serem exploradas, easter eggs, customização de armas e armaduras, facções, escolhas morais (algumas difíceis), toda aquela ambientação futurista com toque retrô, e muito mais. Para quem gosta do gênero de RPG de ação com muita exploração, Fallout 4 (PS4, Xbox One e PC) é um prato bem servido. Altamente recomendado. A guerra nunca muda? Em Fallout 4 ela mudou para melhor.

Vivi Werneck
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10 Comentários em "Fallout 4: a guerra pode mudar"
  1. Takeshi
    19/02/2016

    Eu visitei o blog pelas parcerias do Mais Um Blog de Games, e digo que é um site bem bacana!

    Sobre o F4, é realmente difícil saber qual é a fórmula desse jogo. Foi muito elogiado pela crítica, mas me parece que o “povão” da Internet é 8 ou 80 pra Fallout e principalmente pra Bethesda. Ou eles odeiam ela de coração e alma, ou você adora ela do fundo do coração. Pelo menos quem gosta pode apreciar o jogo, que é muito bom. Inclusive, a Bethesda conseguiu arrumar/melhorar alguns dos seus aspectos, como a história e os companions, que ficaram bem parecidos com o NV, que na minha opinião, é o melhor da série. A Bethesda ainda vai ter que comer arroz com feijão pra superar a Obsidian, mas pelo menos ela já deu bons passos nessa direção.

  2. Edson S
    19/02/2016

    Eu terminei o jogo antes de ler seu artigo e gosto muito dos seus textos pois me identifico com eles. Joguei Fallout 4 por um mês, só ele. Fiz dezenas de missões paralelas e gostei de todas. Os bugs não me incomodaram em nada mas o glitch do dinheiro mudou completamente meu modo de jogar mas eu fiquei viciado em usá-lo. Esse foi o primeiro jogo da Bethesda que joguei e já estou ansioso pelos próximos.

  3. 20/02/2016

    Como assim o New Vegas parece um trabalho de estagiário? Fiquei chocado com essa frase! Em diversos aspectos, Fallout New Vegas é superior ao 3. Acho que ele só não ganha em atmosfera.

    • Vivi Werneck
      20/02/2016

      Em nenhum momento do texto disse quer era “trabalho de estagiário”, até pq já vi muito estagiário fazendo trabalhos melhores que gente contratada. Novamente, este é um texto pessoal, você tem todo o direito de discordar de mim. Mas, na minha opinião, New Vegas é inferior a Fallout 3.

  4. 20/02/2016

    Concordo com Takeshi. A Bethesda não se compara à Obsidian em se tratando de enredo, elementos de RPG e construção de facções e universo. Por outro lado, a Obsidian não se compara à Bethesda em construção de atmosfera, jogos de mundo aberto e sistema divertido de combate. Então, a melhoro alternativa seria o que aconteceu com o New Vegas: a Obsidian fazer, novamente, um projeto paralelo com a franquia Fallout (ela mesma já demonstrou interesse, via Twitter). Fallout 4 é um excelente jogo, merecedor do DICE Awards de jogo do ano. Mas tem muito ainda a ser feito para melhorar a experiência de jogo. E a Obsidian é a melhor candidata pra fazer isso.

  5. 20/02/2016

    Porque eu acho o New Vegas superior ao 3: a OST conta com uma variedade maior de músicas, que por sinal casam perfeitamente com o tema de faroeste do jogo; o sistema é mais profundo e voltado para o RPG; as quests são mais complexas, multidivididas; as suas decisões não são apenas cosméticas; dos diálogos são mais bem-escritos; as ideologias das facções não é tão preto-no-branco; o sistema de desgaste de armas/armaduras não é 8 ou 80; há uma maior variedade na forma de resolver quests; os ajudantes, além de em maior número têm mais carisma; o combate é mais fluente (ou seria menos travado), inclusive fora do V.A.T.S.; o mapa é mais enxuto no sentido de áreas mortas, sem nada pra fazer. Fallout 3 eu acho excelente nas sub-quests, na atmosfera (combina mais com tema de mundo pós-apocalíptico que os ambientes coloridos do Vegas, apesar de que há uma justificativa para isso no game, de que as bombas não atingiram o deserto de Mojave diretamente). Mas enfim, é como vc disse Vivi, é uma questão de opinião.

  6. 20/02/2016

    Uma coisa que eu esqueci de comentar: é engraçada essa sua impressão de “funcionário novato”, pois o New Vegas foi feito pela Obsidian, que um dia já foi conhecida pela alcunha de Black Isle (se não me engano, a desenvolvedora dos dois primeiros FO, sob produção da Interplay). Por sinal, dois funcionários que trabalharam do Fallout 1 e 2 participaram do desenvolvimento do Vegas. Eu fico na torcida para que a Obsidian faça outro jogo da série, pois o FO 4 é ótimo, mas peca muito na parte de profundidade e elementos de RPG.

  7. Robert
    22/03/2016

    Vando pela internet acabei parando aqui no seu site e gostei muito. Em relação ao jogo, cofesso que foi o primeiro da franquia que joguei, apesar de já ter jogado outros jogos da Bethesda, e diferente da opinião de muita gente (já li muitas criticas negativas ao jogo), eu gostei bastante. No começo tem alguns bugs sim, mas nada que atrapalhe muuuuuito. Apesar de eu ter que voltar pra um save e ter perdido 30h de jogo, por causa de um desses bugs (um bem chato que não tinha solução), mas isso foi antes de saírem as atualizações. Enfim…mesmo com esse pequeno problema adorei o jogo, platinei com muito gosto, suando pra conseguir o troféu “Líder Benevolente”. O jogo valeu cada centavo dos R$ 200 investidos. Parabéns pelo site.

    • Robert
      22/03/2016

      Vagando pela internet* esses corretores são um pé no saco!

  8. 06/06/2016

    Amo Fallout, e o 4 tá com gráficos detalhadissimos.

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