Crônicas de uma Gamer Enlouquecida: Minha Primeira E3

Tags: Bethesda, Crônicas de uma Gamer Enlouquecida, E3, E3 2015, E32015, Microsoft, Sony
O Los Angeles Convention Center - local da E3 (Foto: Viviane Werneck)

O Los Angeles Convention Center – Local da E3 2015 (Foto: Viviane Werneck)

Nossa, finalmente consegui um tempinho para escrever. Ainda mais numa ocasião especial como essa. Trabalho com jornalismo de games e tecnologias há, mais ou menos, uns sete anos e – assim como o sonho de todo jornalista de cinema é cobrir uma entrega do Oscar – a de alguém que trabalha com notícias de games é ir numa E3. E esse ano consegui realizar esse sonho e fui para Los Angeles, em junho, fazer a cobertura da maior feira de jogos do mundo. Vocês podem conferir meu trabalho por lá no site do TechTudo.

Mas o objetivo do resgate dessa crônica do Limbo não é falar dos anúncios que vocês já puderam acompanhar, mas sim dar uma passada de perto nos bastidores dessa feira e contar um pouco das curiosidades e alguns sufocos, sim é uma correria como nunca vi na vida. Mas vamos por partes, como já dizia Jack – O Estripador (essa foi horrível!).

Missão 1: conhecendo o Centro de Convenções e conferência da Bethesda

Não sei se todos já foram na Brasil Game Show, mas comparando espacialmente, o Centro de Convenções de Los Angeles – onde aconteceu a E3 – consegue englobar umas 2 ou 3 BGSs fácil. O lugar é imenso! Alas norte, sul, leste, oeste, sudoeste… Praticamente, toda Rosa dos Ventos de direções. Cheguei por lá no domingo, dia 14, para adiantar a retirada das credenciais e conhecer um pouco o local.

O primeiro desafio de titans foi me localizar geograficamente, as pessoas que me conhecem sabem que nasci sem GPS, e tentar achar a sala de imprensa que – para a “sorte” dos pobres candangos que foram cobrir o evento – fica numa ala completamente oposta aos pavilhões onde estão os principais estandes. Correr para sala de imprensa para escrever algo muito urgente? Esqueça. Não vai dar tempo. Tinha que sentar num cantinho mesmo e escrever. Mas vou falar mais sobre esse primeiro sufoco mais a frente.

Credencial em mãos. Here we go! (Foto: Viviane Werneck)

Com credenciais nas mãos, fui dar uma volta pela área aberta da feira (os pavilhões dos estandes grandes ainda estavam fechados) e já dava para perceber a grandiosidade do que estava por vir. Estátuas imensas, uma réplica em tamanho real do carro do Mad (Mad Max) e a famosa decoração externa do Convention Center, com paineis enormes dos principais lançamentos que veríamos ao longo da feira. Tudo isso aclimatado pelo Sol escaldante do início do verão de Los Angeles. Eu, como já estou acostumada com os quase 50 graus do verão do Rio, achei aquele Solzinho torrante um passeio no parque.

Saindo do meu mapeamento do local da feira, era a hora de me preparar para a primeira conferência do evento: Bethesda. Esta, inclusive, foi a primeira conferência numa E3 da empresa desenvolvedora de Fallout 3, Skyrim, Oblivion… Eu, particularmente, estava quicando de alegria por ter a oportunidade de participar de um momento tão histórico, afinal, a própria Bethesda disse que só fará outra conferência como essa se tiver outros grandes anúncios para fazer.

Convite para a conferência da Bethesda. Hell yeah! (Foto: Viviane Werneck)

Mas como foi a primeira tinha que ser em grande estilo, certo? A estreia da criadora do Fus Ro Dah aconteceu, simplesmente, no Dolby Theatre – teatro, localizado no coração de Hollywood, onde acontece a entrega do Oscar. O teatro é realmente lindo, mas pela TV ele parece bem maior do que realmente é. Quem assistiu pelo streaming ao vivo, disponibilizado por eles, pôde ver os anúncios, mais do que esperados, do novo DOOM, Fallout 4 e Dishonored 2. Ao final, cada participante ganhou um kit com três colecionáveis da Bethesda, numa edição exclusiva da Funko especialmente para o evento. Uau! Os olhinhos psychos brilharam de alegria. Bom, trabalho feito, fiquei esperando 40 minutos por um táxi de volta (muita gente na rua, em pleno domingo a noite) para o hotel. Fim do primeiro dia e bem mais aliviada, o trabalho deu muito certo.

Missão 2: as conferências – correria, cadê a internet e vamo que vamo

A ideia que eu tinha, ao assistir as conferências anteriores da E3 por streaming, era que todas elas aconteciam no mesmo local, no máximo em salões diferentes. Tolinha… A única coisa que acontece no Centro de Convenções é a feira em si. Todas as apresentações, que ocorreram na segunda (dia 15) foram em teatros, centros de convenções e/ou estádios espalhados pela cidade de Los Angeles. Você chegava para uma conferência já pensando no tempo e trajeto que levaria para próxima – isso contando com o tempo que iria perder no “maravilhoso” trânsito de LA, que no centro é o retrato do caos.

Esperando começar a conferência da Ubisoft, no lobby do Teatro Orpheum - em Los Angeles (Foto: Viviane Werneck)

Esperando começar a conferência da Ubisoft, no lobby do Teatro Orpheum – em Los Angeles (Foto: Viviane Werneck)

O conteúdo apresentado nas conferências vocês já sabem, mas o que vocês precisam saber é o esforço que, quem está lá cobrindo o evento, precisa fazer para levar uma notícia em tempo real para os leitores, por exemplo. De uma forma geral, dentro das conferências, é um momento de iluminação de Odin e alegria ululante quando o 4G do celular tem algum sinal decente e, se tiver Wi-Fi então… Pqp! Toma seu presente que já Natal!

É bom deixar claro aqui que um dos maiores sufocos que passei durante a segunda-feira de conferências foi a internet precária em quase todos os lugares: ou o local era fechado demais e a 4G não pegava direito nem com mandinga da brava, ou você tinha que rezar para o local ter algum Wi-Fi aberto – o que só aconteceu uma vez, nas conferências latinas da Sony e Microsoft num hotel de gente rica (mas com um suco de laranja péssimo), próximo ao Convention Center.

Mais uma imagem externa do Convention Center, em Los Angeles (Foto: Viviane Werneck)

Mais uma imagem externa do Convention Center, em Los Angeles (Foto: Viviane Werneck)

Entre uma correria de um local para outro, geralmente, você lembrava de comer ou beber algo quando a própria organização das conferências oferecia um lanchinho maroto para você. E sim, isso salvou vidas (ao menos a minha) no dia. Esse é o dia mais movimento e com mais correria. Imaginar que você vai ter tempo de sentar com calma, descansar, comer e beber algo é uma doce ilusão de sua mente psicótica. Enfia dois sandubinhas na boca, um pacote de batata frita gordurosa na mochila (tudo nos EUA ou é muito frito ou com muita pimenta – a azia cantou a semana toda!), toma bastante água e parte para a próxima.

O fim do dia fechou com a conferência da Sony, num estádio que já esqueci o nome, mas era enorme. Lá a 4G e Wi-Fi foram abaixo de zero, para meu desespero. Só fui conseguir algum sinal, ao sair, e já quase do outro lado da rua. Conferências encerradas, fui para um showcase da Microsoft testar o multiplayer do Halo 5 e voltei para o hotel, dominado por mexicanos que cismaram em se comunicar comigo em espanhol (eu não falo espanhol!) só porque eu disse que era brasileira. Só um rápido comentário sobre a população de Los Angeles: eu nunca vi tantas pessoas falando espanhol na vida. Inclusive, as próprias placas de sinalização pelas ruas têm opções em inglês e espanhol.

Missão 3: a feira – zumbis, estandes imensos e internet ainda sacaneando

A feira abriu, oficialmente, na terça-feira (dia 16) e foi até a quinta (dia 18) e agora tudo estava, com a graça das barbas de Odin, centralizado num local apenas: o Convention Center. Finalmente tendo acesso aos pavilhões, dava para ter uma clara ideia da grana que esse pessoal investe para mostrar, da forma mais imponente possível, suas novidades. Apesar de, neste ano, a feira ter sido aberta ao público, o foco da E3 é mais voltado para negócios e mídia. Os estandes estão bem mais interessados em divulgar o que têm comercialmente do que trazer atrações para o público. É uma pegada diferente da Brasil Game Show, por exemplo.

"Braaaiiinnss..." (Foto: Viviane Werneck)

“Braaaiiinnss…” (Foto: Viviane Werneck)

Mesmo assim, o lugar estava muito, muuuito cheio. Felizmente, graças ao espaço de sobra, mesmo com a grande quantidade de público não era complicado andar pelos locais. No entanto, a internet continuava caótica. Só pegava o 4G perto dos banheiros (sabe-se lá Deus por que) e só tinha Wi-Fi na sala de imprensa – a um Limbo de distância dos pavilhões.

No largo corredor, que ligava os pavilhões dos estandes à sala de imprensa, era “normal” ver alguns seres se rastejando pelo caminho. Em um primeiro momento, pensei se tratar de pessoas que comeram algo apimentado demais e estavam usando as últimas forças para chegar ao banheiro (de repente para ter sinal de 4G e pedir ajuda, quem sabe). Ao chegar perto e dar uma olhada era fácil se surpreender com alguns zumbis, muito bem caracterizados, tentando comer seu cérebro e “posando” para fotos. A ação, muito criativa, chamou a atenção de todos que passavam e fazia parte do estande do The Walking Dead – que ficava em um dos lobbies de lá.

Mission complete!

Até a E3 2016... Quem sabe? =D (Foto: Viviane Werneck)

Até a E3 2016… Quem sabe? =D (Foto: Viviane Werneck)

O que tentei passar para vocês, no retorno das Crônicas Gamers, foi um resumo bem resumido (com a licença do pleonasmo) dessa experiência cansativa, porém única e fantástica da E3 2015. Realmente, apesar de todo o sufoco, nervosismo, e a azia que me assola até agora pela má alimentação, foi a melhor experiência profissional da minha vida! Agradeço muito a confiança do TechTudo no meu trabalho e tenho certeza de que fiz o meu melhor. Agora, já veterana, é só esperar o ano que vem para, quem sabe, o ser psycho que vos escreve ter uma nova chance de ir para lá de novo. Ah, mas é claro, numa possível nova cobertura da E3, levarei todo o suprimento para conexão com a internet possível. Aceito até indicações de mandingas, nenhuma ideia será descartada em princípio.

Vivi Werneck
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6 Comentários em "Crônicas de uma Gamer Enlouquecida: Minha Primeira E3"
  1. 28/06/2015

    Isso do evento ser em vários lugares diferentes eu já sabia, e a internet ter problema é bem nítido que ia acontecer, visto que o local é lotado. Pensamos que é só problema no Brasil, que nada, é de primeiro mundo também! XD Não consigo pensar uma solução para net, visto que nem o 4G funciona. Se bem que sempre pensei que os grandes portais americanos de news conseguem postar estas informações na hora pq recebem as infos completas previamente.

    Mas na sua opinião pessoal, que viu tudo de pertinho, qual foi a conferência que você mais gostou (contando as desenvolvedoras)? PS: Você vai dar uma chance para o remake de Final Fantasy VII? (pergunta em homenagem ao Hélio! rs)

    • Vivi Werneck
      28/06/2015

      Adorei a conferência da Bethesda (sou fã da série Fallout), a da Microsoft pela questão do anúncio da retrocompatibilidade (poder jogar games do Xbox 360 no One) e a conferência latina do PlayStation (que anunciou a fabricação do PS4 no Brasil – o que vai baratear o preço oficial do console). Sobre Final Fantasy… Não obrigada, não curto rs.

  2. Gabriel
    28/06/2015

    Parabéns vivi! acompanho seu trabalho há um bom tempo e gosto muito dele. Já tinha passado da hora de vc cobrir a E3!Também sou fã de fallout, e há muito tempo espero fallout 4 então minha preferida foi a da bethesda, apesar de que a da sony foi excelente! Agora a microsoft anunciando a retrocompatibilidade e depois as remasterizações foi genial ein kkk.

    • Vivi Werneck
      28/06/2015

      Obrigada! ^__^

  3. Adolfo Almeida
    14/07/2015

    Meus parabéns Vivi! a E3 *-* que foda. Eu assisti tudo que pude daqui de casa pela internet, quando a mesma deixava rsrs. Você teve tempo de passar nos estandes de vendas? Se sim, como eram? Sucesso Vivi!

    • Vivi Werneck
      14/07/2015

      Como a E3 é um evento mais de negócios não se via tantos estandes vendendo coisas como numa BGS, por exemplo. Se contei uns 3 ou 4 foi muito. Aproveitei e num deles comprei uma pelúcia do Rocket Racoon. :)

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