Capoeira Legends – Path to Freedom

Tags: André Cariús, Capoeira Legends, Donsoft Entertainment, Games Brasileiros, Guilherme Xavier, Mestre Vuê, Path to Freedom

 

Por Bruna Torres

Capoeira Legends

O Brasil sofre de grandes problemas que atrapalham o crescimento da indústria de jogos. O grande preconceito que os brasileiros têm com a própria cultura é um dos fatores que bloqueia com que acreditem no potencial nacional em produzir grandes jogos. Muitos até tentaram, mas copiaram modelos estadunidenses, e por isso não fizeram sucesso.

Recentemente, publiquei uma matéria na revista Gamemaster (onde estou atualmente) sobre um game que chegou para mostrar que o Brasil tem potencial para crescer cada vez mais. A matéria saiu na Gamemaster #49, edição de aniversário (quatro anos). Entitulada de “Mais Brasileiro do que Nunca” a matéria traz uma entrevista que fiz com o pessoal da Donsoft Entertainment, empresa brasileira responsável mais novo sucesso 100% brasileiro, Capoeira Legends. Ele veio para mostrar, além da história e a cultura brasileira, que o país tem potencial para produzir grandes jogos e está cada dia mais um passo a frente de ser uma grande potência em jogos eletrônicos. Estrevistei o presidente e fundador da Donsoft, André Cariús, e o diretor de artes e design do game, Guilherme Xavier.

Eles explicam que o jogo não entra no mercado para concorrrer com as super produções americanas, japonesas e européias. “Nosso foco é divulgar a cultura brasileira e ir criando jogos com qualidade cada vez melhor até chegarmos no nível máximo do mercado. Este foi apenas o primeiro passo dentro de uma estratégia de longo prazo, apostando no interesse do Brasil e do mundo pela nossa cultura”.

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Leiam a entrevista na íntegra.

 

1.  De onde surgiu a ideia do Capoeira? Como foi o caminho percorrido até o lançamento?screenshot024
Da fundação da Donsoft ao seu amadurecimento, a empresa sempre procurou se destacar com projetos que refletissem a cultura brasileira como diferencial de mercado como um espelho para o reconhecimento de nossa identidade social. Assim pensando, quando Jorge Valardan e eu integramos a equipe iniciada pelo fundador e CEO André Cariús, tínhamos como objetivo promover o desafio de falar da cultura brasileira para o mercado internacional. A escolha pela capoeira se deu por observação de que muito pouco havia sido dito sobre o tema no universo dos jogos eletrônicos… E mais tarde, quando estabelecemos a parceria com a Escola de Capoeira Água de Beber, vimos que o pouco que foi dito, estava bem irregular… As produções observadas não levavam em conta a trajetória histórica da arte marcial brasileira, e servia apenas como pano de fundo para malabarismos e saltos circenses, exatamente o que a capoeira não é. Precisaríamos de um mergulho mais profundo, e nos anos que se seguiram a decisão pelo tema, buscamos o aperfeiçoamento das ideias relacionadas. Em paralelo, outro desafio foi traduzir o que aprendiamos para as imposições tecnológicas. Foi nesse momento que descobrimos porque não havia jogos de capoeira em profusão no mercado: a própria natureza dos movimentos desafiava a nossa capacidade de os planejar dentro de um jogo narrativo que já estávamos elaborando. Resolvida essa questão prioritára, que consumiu a maior parte da produção (juntamente com outros revéses típicos de empresas indie como a nossa e que nos fazia rir e chorar de nossa condição de sonhadores), dedicamo-nos a produção do conteúdo do jogo propriamente dito, tendo em cada percalço a observação de que ainda havia muita estrada pela frente. Ainda hoje temos essa impressão. E a conclusão a que chegamos é que antes de correr é preciso aprender a caminhar.

2.  Como foi participar dessa criação 100% brasileira?gunga-looks3
Foi uma oportunidade e tanto! É ao mesmo tempo uma grande satisfação por ser pioneiro em algo, e ao mesmo tempo um certo receio de estar em uma condição de grande fragilidade por isso. Como todas as empresas indie, a Donsoft contou em sua existência com a obstinação de poucas pessoas, as quais tornaram-se sócias do empreendimento e acreditaram muito que chegaríamos a essa findativa (em oposição as inúmeras “iniciativas” comuns quando falamos de criação e desenvolvimento de jogos no país…). Como diretor de artes e design, tive a sorte de poder contar com a ajuda talentosa de meus amigos designers e programadores, sem os quais jogo algum poderia ser feito. Acredito que minha experiência como ludólogo e game designer teve um implemento significativo: uma coisa é conceber criticamente um projeto de jogo (como muitos de minha idade, jogo desde o início da década de 1980, primeiro grande boom de jogos eletrônicos no país), outra é transformar a intenção em concretude. Não foi fácil, mas garanto que não é impossível, como muitos teimam em afirmar.  Pode-se sim, fazer jogos eletrônicos no Brasil de modo independente.

3.  Como é o enredo do jogo? Ele conta a história do Brasil exatamente como aconteceu, na pele do protagonista?screenshot014
Capoeira Legends é uma história de perseverança. Isso reflete um pouco da empresa, um pouco do Brasil e muito do que é a capoeira como tradição nacional. No século XIX, aquilo que hoje chamamos de capoeiragem (ou a arte da capoeira) teve início nos arredores da cidade do Rio de Janeiro como forma de defesa e proteção. A atuação de capoeiras era muito temida, o que garantiu-lhes histórias assombrosas de seus atos. Dado o anonimato, muitos os viam como figuras lendárias e vingativas. Por que? O surto urbanístico originado com a vinda da família real ao país culminou na enaltação das diferenças: muitas etnias conflitantes com rusgas que atravessaram o atlântico serviram como a desculpa perfeita para manipulações sociais que aqui entendemos como “escravidão”. Neste cenário, mocambos e quilombos serviam como parte fundamental da tentativa de recuperação da dignidade tribal, por vezes integrando dentro de preceitos comuns não apenas negros, mas também branco e índios. Vale lembrar que nesta época a trinca ainda estava em processo de miscigenação (do qual viemos como nação) e os embates entre os detentores do poder, seja ele capital ou social com aqueles que prezavam pela liberdade eram constantes. Dada essa matriz, a ficção avança sobre a realidade e assim concebemos o argumento para o universo de Capoeira Legends: o Mocambo da Estrela (que ficava na Serra da Estrela, onde atualmente é a cercania da cidade de Petrópolis) é um enclave para fazendeiros locais que temem perder seus escravos para a liderança de Tião dos Anjos, que com mão de ferro coordena as atividades do mocambo, um entre muitos. Entre os mocambos, existe a figura protetora de Mestre Vuê que por razões particulares, treina guerreiros para que protejam os assentamentos. Um destes é Gunga Za, nosso protagonista em Capoeira Legends: Path to Freedom, cuja missão é proteger seus amigos das constantes incursões de capitães do mato a pacificidade do Mocambo da Estrela. Nossa lenda começa com um ataque surpresa de fazendeiros e militares ao mocambo e a captura de seu líder. Mestre Vuê está desaparecido e a carga de responsabilidade despenca sobre os ombros do jovem Gunga Za, que desesperadamente, tenta reaver seu lar das mãos inimigas. A ironia, reside no fato de que os mocambos ficavam encrustados em geografias que dificultavam seu acesso por invasores. E por isso, a tarefa de Gunga Za será ainda mais dificultosa. Essa é a demanda do Capítulo 1. Nos capítulos seguintes, nosso herói se verá envolvido com uma trama ainda mais complexa, que envolve a tentativa de golpe de Estado por um militar inescrupuloso, a relação de Gunga Za com seu talentoso porém maligno irmão gêmeo e o segredo que liga Mestre Vuê a figura de um temível capoeira chamado Dobrão.

4.  E a jogabilidade? Vocês pesquisaram com mestres da capoeira para representarem bem os golpes da luta, certo? Conte um pouco.screenshot030
Do contrário de jogos de artes marciais convencionais (ou melhor dizendo, como o ocidente considera o oriente nas suas lutas), Capoeira Legends não visa a pancadaria, mas sim um tratamento mais estratégico para a capoeira. Muitas das críticas que recebemos, se deve a essa impressão errônea da capoeira como uma série de saltos mirabolantes (mas na realidade muito pouco efetivos). O jogador tem uma vitalidade moral que chamamos de Axé (que ao se acabar, elimina o jogador) e uma certa condição de equilíbrio de luta que chamamos cadência. O objetivo do jogo é utilizar bem a cadência para que Gunga Za possa cumprir seus objetivos. Desse modo, sair batendo como um alucinado não garante o sucesso (cada golpe consome um pouco de cadência, o que reflete na força do golpe), mas sim saber o que fazer diante da situação. Alguns golpes são fulminantes se aplicados da maneira correta, mas e depois? O que fazer com os outros adversários que avançam sem piedade? A ginga é a razão da qualidade da luta. Sem ela o jogador não recupera sua cadência. Por isso é preciso gingar e quando atacado, se esquivar de maneira correta. Só assim é possível avançar contra algozes armados de facões, foices, paus e rifles! A consultoria para os movimentos foi feita pelo próprio Mestre Vuê e por seu filho, Hugo Freitas. Os movimentos de ambos foram capturados em longas sessões de Motion Capture e reunidos para conferir a Gunga Za e seus inimigos os movimentos de luta (além da capoeira, animações de suporte como corridas, saltos, reações, quedas e súplicas).

5. Os personagens do jogo são baseados em pessoas reais, como o Mestre Vuê?Mestre Vuê
Digamos que o casting foi uma grande mistura de fisionomias. Queríamos faces de africanos, brasileiros e portugueses típicos do início do século XIX. Não achamos. Debret e Taunay não nos ajudou muito nessa (risos). Assim sendo, houve uma extenuante pesquisa por características para composição dos personagens que foram, em seguida, modelados e animados. Apenas Mestre Vuê foi referenciado fotograficamente, bem como animado a partir de seus próprios movimentos. Essa homenagem ao Mestre Vuê foi feita em virtude de sua prestatividade incondicional ao projeto no momento em que poucos viram nele a concretude atual. É interessante ressaltar que nosso envolvimento com a Escola de Capoeira Água de Beber vem desde 2004, quando inclusive André Cariús e Alexandre Bandeira se tornaram alunos do mestre, que prestou constante consultoria no desenvolvimento da história do jogo.

6. Que público vocês pretendem atingir?
Inicialmente, o projeto tinha como foco o mercado internacional de capoeira. Há um grande interesse pelo tema na Europa, Asia e na América do Norte. No entanto, a recente cobertura da mídia e dos gamers do país emocionou-nos muito porque soubemos que os brasileiros ansiavam por um jogo que falasse de suas coisas, sua história e seus heróis. Em função disso, é com prazer que vemos nossas versões em português mais requisitadas que as em inglês. Esperamos que isso se verifique ainda mais nos próximos capítulos… Nosso jogo não visa competir com os últimos lançamentos americanos e japoneses. Rimos muito de tais comparações porque nosso budget e equipe não são comparadas com igual relação. Mas esperamos emocionar os que gostam de capoeira e também ensinar os que não conhecem a arte. E esperamos aprender também, com as considerações de todos sobre os resultados.

7.  Vi que a floresta do jogo é uma cópia da flora da mata atlântica da região do Rio de Janeiro, não é? Como foi reproduzir exatamente?screenshot014
Sim, uma cópia autenticada (risos). Foi um grande desafio porque o palco para um jogo é metade da atuação. Se o jogo fosse em um deserto pós-apocalíptico ou no continente antártico, as soluções seriam outras, bem mais simples. Foram inúmeras sessões fotográficas de referência nas visitas ao local e também ao Parque Laje e ao Jardim Botânico para termos condição de modelar uma mata conviencente e atmosférica. Deu um trabalhão para Leonardo Batista e a equipe de Artes e Design porque nossa biodiversidade é enorme e isso tem que ser passado para o jogador. A riqueza de detalhes, no entanto, tem um efeito colateral, porque a mata precisa ser renderizada em tempo real. O equilíbrio entre qualidade visual e fluência dos quadros é como uma gangorra desgraçada. A otimização posterior a modelagem obrigava-nos a rever constantemente nossos padrões de qualidade.

8.   A qualidade gráfica do jogo está muito boa, se compararmos com outros jogos nacionais. Como está a recepção das pessoas sobre o jogo? Está tendo algum tipo de preconceito?
As opiniões variam bastante, o que é ótimo, porque são bem sinceras ao seu modo. Muitos preconceituosamente nos xingam e ojerizam o resultado (sem ao menos tê-lo jogado) e muitos outros, muitos mais, nos defendem sem a menor razão aparente, em uma espécie de identificação auto-referente (sem ter jogado também). A questão é: nenhum jogo se faz somente pelos seus gráficos. Alexandre Bandeira, nosso diretor de tecnologia, e sua equipe, teve empenho colossal em estudos e atividades para realizar uma proposta singular de codificação, integrando as produções audiovisuais realizadas pelos designers no engine escolhido para o projeto. Isso não transparece no material promocional, mas é fundamental para a qualidade do produto. De qualquer modo, adoramos todos os comentários, dos que nos esculacham e dos que nos louvam porque o objetivo de um jogo é esse mesmo: é mudar uma condição. Tem quem joga porque está feliz, tem quem joga porque está triste, tem quem joga porque é pobre, tem quem joga porque não tem mais o que fazer, tem quem joga por esporte, tem quem joga por jogar, tem quem joga só para ter assunto… Assim são as opiniões sobre o Capoeira Legends e a empresa que o concretizou. A recepção, ao nosso ver, não poderia ter sido melhor. Não sabíamos que iríamos mexer tanto com o conceito de identidade nacional. Para mim, estudioso de jogos em termos sociais, é um momento e tanto. Agradecer ao apoio daqueles que nos elogiam como brasileiros, pelo simples fato de sermos brasileiros com um propósito de fazer jogos, é o mínimo que podemos fazer em retribuição.

9.   O primeiro título, Path to Freedom, terá três capítulos certo? Vocês já tem planos para continuações da franquia?screenshot012
Três capítulos, exatamente. Já vislumbramos a continuação do universo com outras participações e aplicações.

10.   Quando saíra os próximos capítulos?
Segundo nossos planos, o Capítulo 2 estará disponível em junho, e o Capítulo 3 estará disponível em dezembro
deste ano.

11.   Olhei no site, e a venda não está disponível. Para comprar, podem entrar em contato com vocês e pedir o jogo. Mas quanto ele custa? O primeiro capítulo? Todos serão o mesmo preço?
O jogo Capoeira Legends: Path to Freedom – Capítulo 1 custa R$29,90 para a versão box e R$25,90 para versão para download. As cópias originais permitem acesso ao sistema de atualizações e novidades da empresa e os demais capítulos terão o mesmo preço.

12.   Foi difícil conseguir capital para produzir o jogo?
Muito. Uma organização financeira extremamente perfeccionista de nosso fundador e presidente, André Cariús, foi fundamental para alcançarmos este resultado. Por ser uma empresa 100% independente, contamos exclusivamente com o financiamento do projeto pelos próprios sócios e com projetos desenvolvidos dentro da própria empresa. O lado bom do sacrifício é que você pode olhar para trás e dizer: “colocamos um apartamento nessa brincadeira levada a sério e hoje o resultado é culpa nossa” (risos). Muitas empresas se lançam ao mercado sob a justificativa de por serem brasileiras, poderem fazer qualquer coisa. Outras pecam pela inconclusão de seus projetos e acusam responsáveis variados como a falta de incentivo e o preço de ferramentas básicas para produção de qualquer coisa. Há muito tempo paramos de reclamar e começamos a agir. Foi custoso (em todas as acepções da palavra) mas creio que chegamos na primeira estação. Como Jorge Valardan, nosso diretor científico, bem colocou certa vez: “agora que a viagem está começando…”

13.   O jogo está bem divulgado? O governo tem ajudado/incentivado em alguma coisa?screenshot013
A divulgação do jogo está sendo colaborada pela mídia alternativa. Somos fruto da geração internet e nela se encontram nossos principais contatos com o mundo dos jogos eletrônicos. Da noite para o dia (nessa ordem), recebemos críticas, elogios, curriculos, somos requisitados para entrevistas e temos a matéria original de nosso amigo Beto Largman sendo copiada incessantemente pela blogsfera nacional e internacional. Creio que o jogo está sendo bem divulgado, sobretudo observando o espaço que os jogos ocupam no cenário informativo do país. Mas claro, oportunidades de contar nossa história nunca são demais.
Infelizmente ainda não fomos contemplados com nenhum tipo de apoio governamental, apesar de termos tentado e de continuarmos tentando. Mas acredito que no momento certo, o apoio virá.

14.   E as vendas tanto aqui no Brasil, quanto fora, estão suprindo os gastos que vocês tiveram?
Não, nem de longe. Nossa expecativa é a recapitalização com a conclusão dos três capítulos apenas e melhorar nossa condição com próximos projetos que já estamos inciando em paralelo.  Há muito a ser dito e feito, e o retorno, temos certeza, dependerá do nosso esforço.

15.   Conte um pouco sobre a Donsoft, como foi criada, quais outros jogos ela já produziu…donsoft-logo1
A Donsoft Entertainment é uma empresa brasileira de desenvolvimento, design e publicação de jogos. Independente desde sua fundação, em 2001, tem como foco a produção de jogos para todas as plataformas sobre a Cultura e o Folclore brasileiros. Nossa missão é produzir jogos com alto nível de qualidade gráfica e tecnológica, sobre temas relacionados à Cultura e Folclore brasileiros e que transmitam mensagens positivas a um público de jogadores de todas as idades. A empresa é 100% independe e 100% brasileira. A ideia original veio em 1993 em Petrópolis, onde um programador de 13 anos de idade chamado André Cariús reuniu um grupo de amigos e juntos criaram uma TechDemo de um jogo dventure 2D para tentar comercializar. Ao longo do tempo as pessoas iam abandonando o projeto, especialmente por na época serem muito novas ainda (média de 13 a 15 anos de idade). No fim de cada tentativa, que durava aproximadamente um ano, só sobrava ele. Foi aí que ele percebeu que precisava ou de dinheiro ou de algo que conseguisse manter um time coeso para a conclusão de um projeto. Como dinheiro não era o forte, passou anos mantendo as pesquisas de tecnologia e design de jogos e em paralelo a isso criando/estudando muito um modelo econômico/administrativo/societário que possibilitasse a criação de uma empresa independente e que fosse interessante societariamente para todos os envolvidos. Em 2003, com a entrada de alguns sócios importantes (Como o Diretor de Arte & Design que vos fala Guilherme Xavier; o Diretor Científico-Cultural Jorge Ricardo Valardan Domingos e o Diretor de Tecnologia Alexandre Bandeira), o tema Capoeira foi o tema perfeito para o que buscávamos. Iniciamos então a pesquisa e desenvolvimento das tecnologias e elementos culturais para um jogo de Capoeira.  Depois de muitos desafios tecnológicos (com tentativas que não nos agradaram com tecnologias diversas), começamos a produção da versão que hoje está disponível para a venda, com um tempo total de um ano e meio de desenvolvimento “puro”. Porém, o tempo total de pesquisa (viajamos pelo Brasil em busca de informações, fomos à muitas bibliotecas, nos envolvemos com a Escola de Capoeira Água de Beber, pesquisamos profundamente todas as tecnologias relacionadas…) foi em torno de 6 anos. Em 2007 decidimos dividir o primeiro jogo da série Capoeira Legends (Path to Freedom) em três capítulos, para que fosse financeiramente viável e ao mesmo tempo pertinente vender o jogo a um preço acessível.

16. Neste espaço fiquem à vontade para responder sobre mais alguma pergunta que frequentemente estão sendo feitas a vocês.

A) Muitas pessoas perguntaram sobre lançarmos o jogo para outros consoles. A Donsoft tem um grande interesse em publicar o Capoeira Legends para outras plataformas (Wii, PS3,  Xbox360, Nintendo DS, PSP etc.). Porém, nosso foco atual está no desenvolvimento do segundo e capítulo e antes de tudo vamos lançar os três primeiros capítulos neste ano para PC. Logo em seguida, em 2010, temos grande interesse em publicar o Capoeira Legends completo para algum console, ou talvez outro jogo da série (sim, já temos o roteiro). Inclusive vamos procurar a Tec-Toy para conversar sobre o Zeebo.

B) Algumas pessoas comentaram sobre o idioma do jogo e o título em inglês. É importante ressaltar que estamos vendendo o jogo nos dois idiomas, português e inglês. O nome “Capoeira Legends” foi escolhido para que possamos mostrar ao mundo a cultura nacional, através de um produto de porte internacional. O jogo está disponível nos dois idiomas porém mantivemos um título em inglês nos dois casos para aumentar o apelo internacional e unificar o nome do jogo mundialmente. Nosso objetivo é a divulgação de nossas raízes para todo o planeta, não somente para o Brasil.
Reparem que o nome dos Golpes, as frases do Mestre Vuê, as Músicas e todos os contextos mais culturais foram mantidos em português até mesmo no jogo em Inglês.

C) É importante ressaltar que o jogo não entra no mercado para concorrrer com as super produções Americanas, Japonesas e Europeias. Nosso foco é divulgar a cultura Brasileira e ir criando jogos com qualidade cada vez melhor até chegarmos no nível máximo do mercado. Este foi apenas o primeiro passo dentro de uma estratégia de longo prazo, apostando no interesse do Brasil e do mundo pela nossa cultura.

E esta é a equipe da Donsoft responsável pelo Capoeira Legends: Path to Freedom – Capítulo 1:

Presidente e Fundador: André Cariús
Diretor de Artes e Design: Guilherme Xavier
Diretor de Tecnologia: Alexandre Bandeira
Diretor Cultural e Científico: Jorge Ricardo Valardan Domingos
Designers: Alberto Renzo, Mário Azevedo, Marcus Feital, Leonardo Pereira e Gabriel di Stasio
Programadores: Vinícius Leite e Wellington de Oliveira
Lead Tester : Rômulo Silva
Tester: Márcio Moreira
Consultoria de Capoeira: Mestre Vuê e Hugo Freitas

Vejam o gameplay do Capoeira Legends

E a seguir, vejam as screenshots do Capoeira Legends! Para ver maior, é só clicar em cima. Espero que gostem, apreciem e joguem! Afinal, é 100% brasileiro! =D

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Bruna Torres
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27 Comentários em "Capoeira Legends – Path to Freedom"
  1. rafaelx1bm2
    25/04/2009

    que legal esse jogo pelo menos fala de capoeira que foi criado no brasil

    ****1º post, eu acho****

  2. rafaelx1bm2
    25/04/2009

    http://capoeiralegends.com.br/capoeiralegends/News.aspx?lg=Pt

    esse site fala sobre ele tbm e fala os movimentos e algumas coisas a mais ^.^

  3. 25/04/2009

    Finalmente alguem tomou a iniciativa, mas não acho que seja o suficiente para colocar o Brasil em destaque
    Precisamos de pelo menos umas 5 ou 6 grandes produções

  4. Leostamm (Léosma)
    25/04/2009

    EU já vinha acompanhando os anúncios desse jogo. Eu sou meio suspeito para defende-lo afinal, muitos conhecem o meu patriotismo exagerado. Mas enfim…
    A primeira vez que li sobre esse jogo foi na comunidade da EGM no orkut.
    O que me entristeceu foi notar que a grande maioria julgou o game como uma porcaria, um lixo sem ao menos saber realmente do que se tratava… Criticando a movimentação do personagem, gráficos, ambientação e etc apenas por um pequeno vídeo postado ( Esse mesmo do gameplay).

    Não quero defender que o jogo seja um God Of War Killer e etc. Mas sim que; enquanto não dermos valor ao que é feito, debaixo de muito suor e muita luta pelos nossos, nunca vamos conseguir mudar o cenário brasileiro… Porque se nem nós mesmos damos valor para um produto 100% nacional, quando que os gringos farão isso? Não importa se um jogo nacional seja melhor até que qualquer jogo americano ou japonês, se os brasileiros não apoiarem e ajudarem nunca vai ser respeitado em lugar algum no mundo.

    Ai eu te pergunto… Muitos vão concordar que devem apoiar o game, falar bem e etc. Mas, será que todos vão comprar? Porque, cá entre nós. Baixar o game via torrent e etc. em minha opinião é muito mais prejudicial que não ajudar e falar mal. Pode parecer loucura, mas eu acho que todos que pensam em apoiar deveriam comprar o game ( eu mesmo vou fazer a minha parte) para que uma ótima idéia e uma equipe dedicada em transformar o Brasil numa potência mundial não morra na praia.

    Não acho que esse seja o Cristo para o desenvolvimento Brasileiro de games… Mas enquanto a grande maioria for o demônio, fica difícil enxergar uma luz no fim do túnel.

    • 25/04/2009

      Disse tudo, cara!!

      Eu não entendo esse pessoal que critica esse jogo, criticou o Zeebo (sim, eu acredito no Zeebo!!!). Não dá para começar lá do topo, nenhum grande projeto começa assim. Precisa-se crescer aos poucos, e acho que estamos no caminho certo (exceto pelos velhos problemas do âmbito político que todos sabem) para isso. Também acompanho a produção desse jogo há algum tempo e acho um grande passo, ainda mais por se tratar de uma coisa extremamente da nossa cultura (e que fiu praticante durante algum tempo, aliás, preciso voltar a praticar): a Capoeira.

      Sem contar que o jogo tá num preço bem razoável!! Com certeza comprarei…

  5. Daniloz3
    25/04/2009

    O jogo parece muito bom, eu vou registrar a minha versao pra incentivar o mercado brasileiro de games.
    So acho que os caras deveriam tem usado o titulo todo em portugues, afinal, as produtoras brasileiras reclamam do incentivo, mas isso já é um balde de agua fria em alguns.

  6. 25/04/2009

    Concordo com o Daniloz3

    Quando comecei ler a máteria:

    “O Brasil sofre de grandes problemas que atrapalham o crescimento da indústria de jogos. O grande preconceito que os brasileiros têm com a própria cultura é um dos fatores que bloqueia com que acreditem no potencial nacional em produzir grandes jogos. Muitos até tentaram, mas copiaram modelos estadunidenses, e por isso não fizeram sucesso.”

    – Capoeira Legends – Path to Freedom –

    É um pecado que o nome do game não esteja em português.

  7. Renan Rodrigues
    25/04/2009

    Nossa!! Esse jogo parece ser legal!
    Quem sabe quando eu tiver dinheiro eu compre.
    Se bem que ia ser muito legal ver ele no DS.

  8. 25/04/2009

    Apesar de não ser um praticante, sempre tive um grande respeito pela capoeira, ainda mais que meu irmão do meio e meu pai já foram praticantes desta arte genuinamente brasileira. É legal ver um game que fale sobre a capoeira. Game também é cultura!

  9. PH!
    25/04/2009

    Concordo q o nome do jogo em inglês não expressa muito patriotismo, mas não podemos ignorar o fato de que a Donsoft pretende quebrar preconceitos não só a nível nacional. Ser bem vista e notada fora do país é fundamental para a sobrevivência da empresa, e mesmo em inglês, o título já chamaria a atenção para o Brasil de qq forma. Os japoneses tb são fodas e lançam títulos em inglês!

    Eu nao queria comentar pq sou tímido, mas vou revelar (ui) um segredo: o personagem Gunga Za foi inspirado em mim e em toda a minha arte fatal de capoeira. Minha luta lendária foi homenageada no jogo :P

  10. Bruno
    26/04/2009

    A galera da Donsoft está de parabéns. É lógico que não podemos comparar um jogo desse com um Gears of War, mas uma coisa eu digo: tem muito jogo estrangeiro aí que é lixo.

    E se a galera da Donsoft conseguiu fazer um jogo nesse patamar, sem incentivo nenhum, fico imaginando se nosso mercado fosse incentivado.

    Vejam vocês empresas como Petrobrás e Embraer. Elas têm incentivo, e vejam a potência que são.

    O Brasil tem potencial, só não tem incentivo. E para ser sincero, não acho que isso vá mudar nos próximos anos.

    INFELIZMENTE

  11. Darkhealm
    26/04/2009

    Melhor matéria feita pela Torritas Ever \o/ Parabens Torres

    Só faltou um link para dar uma olhada em como se pode adquirir o jogo, que eu pessoalmente tenho vontade de tentar pelo menos. Ao menos deve valer a experiencia.

  12. 26/04/2009

    E o Enira? Alquem tem noticias? é um MMO que é baseado no folclore brasileiro?

  13. sigma
    26/04/2009

    Parabéns Bruna pela entrevista e o incentivo às produções nacionais.

    André e a galera da Don também estão de parabéns pela iniciativa e garra. Achei bonita a história de uma pessoa que desde criança acreditou nos seus sonhos e correu atrás.

    Para um jogo de Debut, num país que nem todos tem energia eletrica, está ótimo.

    Alguém lembra o primeiro jogo da Square? (The Death Trap). Se fosse bom tinha gente emulando até hoje. A Rare (Donkey Kong) chegou a lancar o GNOP! `PONG’ ao contrário. Isso mesmo uma cópia descarada do Pong! “Ah, mas nos dias de hoje não podemos nos dar ao luxo de cometer erros em projetos”. Fale isso pro engenheiro da Microsoft que bolou a placa-mãe do Xbox 360 e ao prejuízo que ele já causou. Nem tudo começa grande ou saí como queremos. “Eu sou brasileiro e não desisto nunca!” – Bill Gates sobre o XBox 360, após extender a garantia da máquina para 3 anos.

    Continuem sempre assim, com metas e cabeça erguida. Gostei da sua postura educada quanto às críticas. Tem que tentar uma, duas, quantas vezes forem necessárias. Nunca desistam de seus sonhos. ;)

  14. Alef
    26/04/2009

    Acho que o titulo em ingles esta certo sim, se eles querem atingir o mundo inteiro é melhor ñ fazer algo em portugues, ja q é considerada a lingua mais dificil do mundo, agora, no jogo mesmo em si, poder escolher a lingua seria bom, ñ joguei, mas acredito q deve dar.
    O melhor console para o jogo ser lançado concerteza é o ps2, afinal, a maioria tem um ps2, a pirataria é mais facil, mas ainda acho q um jogo de ps2 é mais comprado q um de ps3, xbox360, wii, etc.
    Mas no caso de pirataria, bem, o jogo esta em um preço bem acessivel, ja vi muito camelo vendendo jogos de ps2 por R$20,00, então por R$10,00 a mais concerteza vale bem mais a pena comprar um original.
    Ñ vou dizer q o jogo esta perfeito, qualquer um pode ver q tem defeitos, mas e dai? Para um primeiro passo esta ótimo, e alem disso, qual jogo ñ tem defeito?

  15. 26/04/2009

    Parabéns, estou ansioso para jogar! Terá algum demo ou trial? Imagino que isso ajude a vender =)

  16. Edu
    27/04/2009

    Capoeira nem é brasileira, é uma luta que veio da áfrica, e parte dela foi moldada aqui. Se fizessem um jogo mais violento juntando Brazilian Jiu-Jitsu (tb não é daqui, mas foi moldada aqui), com máfias e rings clandestinos, no estilo GTA, teria muito mais aceitação, a galera q gosta de games de luta curte mais briga no estilo “luta ilegal”. Eu tb admiro a cultura e o folclore brasileiro, são realmente ricos e cheio de coisas legais, mas se falando em mercado de games o folclore daqui passa longe dos elementos que estão na moda dos games de mercado.

    • aureliox
      29/04/2009

      Ah, não sei, eu sempre preferi jogos menos “ilegais”. Quando li que a história de Capoeira Legends seria uma história de perseverança, e luta pela liberdade, achei o máximo. Acho que esse é o tipo de coisa que nunca sai de moda.

  17. 27/04/2009

    Opa, isso eu terei que jogar com certeza. E é mais uma prova de que brasileiros memso com poucos recursos são capazes de criar coisas boas, com muita criatividade e originalidade. E chega a ser blasfemia investirem apenas 1 milhão nesse mercado tão lucrativo.

  18. 03/05/2009

    Brasileiro tem muito isso de achar que “produto nacional” é ruim. Por exemplo, o cinema nacional também sofre um preconceito absurdo. Tenta convida alguém pra um filme que não Se eu Fosse Você ;P

    De qualquer jeito nossa indústria de games com certeza equivale quinquilionésimo (pentelésimo? – não sei -) do resto do mundo.

    Ah e capoeira é a segunda luta mais escrota do mundo, então o jogo perdeu pontos comigo. Faz um GTA favela que fica muito mais legal.

  19. 19/05/2009

    Olá a todos,

    Meu nome é André Cariús e sou o CEO e fundador da Donsoft, empresa criadora do Capoeira Legends.
    Antes de tudo, muito obrigado pela matéria e pelos comentários tão positivos que nosso jogo recebeu aqui.

    Bruna, como sempre, com um texto riquíssimo, bem escrito e coeso. MUITO obrigado!

    Fiquei feliz pela análise feita pelo Leostamm, ele entende bem o espírito da coisa.
    Adiciono que no Brasil estamos acostumados a conhecer só os jogos AAA produzidos pelos gringos mas que fora do Brasil existe um mercado de jogos AAA, A, B e C além dos jogos Indies… e a Donsoft desde o início quis dar seus primeiros passos dentro do mercado Indie, o que nos coloca em posição e exigências diferentes do mercado AAA, naturalmente.

    Sobre o título do jogo ser em inglês, Daniloz3, algumas pessoas comentaram sobre isso. É importante ressaltar que estamos vendendo o jogo nos 2 idiomas, português e inglês.
    O nome “Capoeira Legends” foi escolhido para que possamos mostrar ao mundo a cultura nacional, através de um produto de porte internacional. O jogo está disponível nos dois idiomas porém mantivemos um título em inglês nos dois casos para aumentar o apelo internacional e unificar o nome do jogo mundialmente (Foi uma recomendação de um especialista em marketting de jogos). Nosso objetivo é a divulgação de nossas raízes para todo o planeta, não somente para o Brasil.
    Reparem que o nome dos Golpes, as frases do Mestre Vuê, as Músicas e todos os contextos mais culturais foram mantidos em português até mesmo no jogo em Inglês.

    Edu, sobre seu comentário, a Capoeira é Brasileira sim. Existe a Capoeira Regional (Criada pelo Mestre Bimba, na Bahia) e a Capoeira de Angola. A Capoeira Regional é o foco de nosso jogo, e mesmo a Capoeira de Angola teve seus moldes feitos no Brasil, especialmente com Mestre Pastinha. Portanto, infelizmente acho que quem lhe deu essa informação não pesquisou corretamente.

    Bem, é isso.. Obrigado a todos! Vamos tentar melhorar tudo que está sendo criticado para os próximos capítulos e jogos!
    É importante ressaltar que esse jogo é o primeiro passo. Foram 4,5 anos de pesquisa e 1,5 de desenvolvimento. Trabalhamos muito e fizemos o máximo com o mínimo… Temos pouco dinheiro, equipamentos simples, a maioria dos softwares gratúitos mas MUITO BOA VONTADE e paixão por jogos…

    Em algumas semanas estaremos lançando o segundo Patch do jogo que melhora bastante as animações (teremos animation blending, melhorando a transição entre as animações) e a Inteligência artificial dos oponentes (Alguns deles agiam de forma meio “burra” correndo contra cercas, pedras etc…). Além de criar o capítulo 2, vamos sempre que possível dar suporte ao capítulo 1 ao longo dos próximos meses.

    Um grande abraço a todos!

    André Cariús
    CEO, Founder
    Donsoft Entertainment
    http://www.donsoft.com.br

  20. 24/05/2009

    […] diversos os jogos que mostram os costumes de outros países, e isso já faz a diferença. Como o Capoeira Legends agora, jogo brasileiro que mostra o Brasil, especificamente o Rio de Janeiro, na época que […]

  21. uáó
    03/06/2009

    nemli.

  22. 01/07/2009

    Isso é bacana eu estou gostando muito esse o primeiro jogo brasileiro sobre a capoeira do nosso Brasil. Isso faz parte da nossa história do nosso país. Eu sou patriota eu amo o meu país e todos nós podemos valorizar a nossa cultura e a nossa lingua portuguesa. O jogo de capoeira da África e do Brasil é nota 1000. O nosso jogo brasileiro vai ser dez. Parabens.

    Abraço

  23. guilherme
    25/08/2012

    ta muito vom esse jogo.Mostra tudo que ajemte fas na capoeira,e mostra nossa historia da capoeira e do Brasil,

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