Cadê a força do nosso mercado nacional?

Tags: Altos Impostos, Capoeira Legends, Carga Tributária, Governo, Governo Federal, mercado brasileiro de games, Mercado de games, Pirataria

Por Bruna Torres

Entrar na faculdade para desenvolver jogos no Brasil é o sonho de muitos. Mas o problema vem depois, como não saber o que fazer após formado. Muitos tendem a investir em indie games ou vão para fora do Brasil, onde terão mais chances. O mercado de jogos eletrônicos no Brasil continua repleto de problemas, mesmo mais consolidado do que antes, mas a tendência mostra que pode demorar bastante ainda para melhorar. Isto me leva a pensar se ainda estarei viva quando tudo mudar.

Diversas empresas surgem nos estados brasileiros, mas a grande maioria investe nos MMORPGs. O mercado de jogos on-line e dos consoles (este mais ainda) continua crescendo com certa dificuldade. O grande problema é para obter as licenças dos kits de desenvolvimento, e isto impede a penetração das desenvolvedoras brasileiras neste ramo. Os jogos on-line têm que disputar espaço com servidores internacionais e ainda se preocupar com server piratas, hackers, internet de baixa qualidade, falta de incentivo e  de legislação para o mercado, e diversos outros problemas.

São vários os problemas que atrapalham o Brasil de se tornar mais uma grande potência em jogos eletrônicos. O que interfere são fatores culturais, políticos e tecnológicos. Um dos mais importantes são os altos impostos. Com a pesada carga tributária que temos por aqui,  os jogos e os consoles acabam no país com o preço altamente elevado, e isso faz com que os brasileiros recorram a compras no exterior ou no mercado cinza, que é aquele onde o produto original entra de maneira ilegal no país, sem pagar os impostos. O ex-deputado Carlito Merss  até tentou mudar este quadro com o Projeto de Lei 300 de 2007, que visa reduzir a carga tributária sobre os consoles, que chega a atingir até 275% sobre o valor básico do sistema. Mas até hoje segue sem aprovação.

O fato das pessoas acharem que não é errado piratear também faz com que o mercado engatinhe cada vez mais. Tentar justificar um erro (altos impostos) por outro (pirataria) é errado. Para se ter uma ideia, nós, brasileiros, deixamos de arrecadar aos cofres públicos em impostos R$ 30 bilhões por ano por conta da pirataria.  Copiar ilegalmente um produto, sem a autorização do proprietário, é um crime bárbaro. De acordo com uma pesquisa da universidade Anhembi Morumbi e o IBIC pela Agência Tríade, 94% dos consoles brasileiros são frutos de contrabando e cerca de 2% dos domicílios brasileiros possuem consoles. Comparados com os Estados Unidos, que possui 45% dos domicílios com videogames, ficamos bem atrás.

O gráfico abaixo foi fornecido pela Associação Antipirataria de Cinema e Música (APCM) e nele mostra as apreensoes feita pela Polícia Civil de 2003 a 2008. Mesmo com a queda em torno de 35,3% no número de apreensões do ano de 2006 para 2007, nota-se que o valor no ano de 2008 está um pouco acima da média que é mais de 32 mil unidades por ano.

E o fator cultural? Sim, falta incentivo nesta área por aqui. O menosprezo cultural está presente no fato do Brasil querer copiar tudo o quê vem de fora.  São poucos os que se arriscam e criam algo diferente, como o jogo Capoeira Legends da empresa Donsoft. Mas o que deveríamos fazer é aprender com os erros deles, e não tentar copiá-los. Fujam dos estereótipos e criem jogos diferentes com estilo próprio. E gente, ensinem para seus amigos, familiares , etc e tal, que videogame não é mais coisa de criança! Mostrem o sexminigame de God of War, o sangue de Gears of War e o terror em Silent Hill.

Agora publicitários, propagandistas e marketeiros. Vamos vender mais ideias relacionadas a games. Pensem em coisas bacanas, nada dessas propagandas idiotas de videogames feitos para mulheres. Não estou falando disso. E sim de incentivar publicidades ligadas a jogos. Com as propagandas de sanduíches famosos, todos vão lá experimentar, não é? Muitos brasileiros acabam desconhecendo o mundo dos jogos por falta de propagandas. Quando tiver eventos, façam o marketing necessário para mostrar o potencial que o Brasil tem. Liguem para veículos de comunicação e mostrem que aquilo vale à pena virar notícia. Criem release de impacto e mostrem que o evento não será mais um dia dedicado a crianças, e sim a adultos servidores públicos de 30 anos que gostam de jogar.

E formandos em desenvolvimento de jogos eletrônicos, NÃO fujam para o exterior. Invistam no país de vocês. Façam com ele cresça, mostrem as garras que têm e a criatividade em criar algo inovador. Acreditem que podem que vocês irão conseguir ir longe. Façam as empresas quererem vir para cá. A solução seria promover mais cursos direcionados à produção de jogos eletrônicos, que capacitem os brasileiros para ampliar a gama de atuação e se tornar uma grande potência em produção de games. Os preços desses cursos também devem ser mais acessíveis para todos, porque pagar mais de R$ 1 mil por mês não é para todos.

E por fim, o governo brasileiro continua desinteressado no mercado de games nacional. Isso mostra total falta de visão às tendências econômicas mundiais para o futuro. Mas como todos sabem, logo esses velhacos com cabeça dura sairão do poder e quem entrará são muitos de vocês, que ainda são jovens e vivenciaram esta época. Ao chegar lá, mostrem que este é um mercado que trará lucros para o país maiores do que qualquer outro. Façam com que a população tenha acesso a globalização, como internet, e a acessibilidade. São inúmeras as possibilidades, como apoiar as produtoras, especialmente as recém-formadas, a ter uma estrutura básica, para que possam começar a atuar no mercado e, tempos depois, atuarem por si mesmas. Enviem cartas, e-mails, criem discussões na internet para que possa chegar aos nossos governantes e quem sabe, eles não mudem a cabeça. Vamos mudar este cenário para melhor.

Bruna Torres
Share on Tumblr
Feed do Post
45 Comentários em "Cadê a força do nosso mercado nacional?"
  1. 11/03/2010

    Bruna, um pessoal que não fugiu pro exterior é a galera da Overmind que tá produzindo pra iPhone/iTouch. Apareceram recentemente no Nonuba.

  2. 11/03/2010

    Isso aos poucos tá mudando, espero ver melhorias significantes em 10,15 anos…

  3. Yuri Anderson
    11/03/2010

    esse post foi emocionante.

  4. 11/03/2010

    Que belo post, Bruna!
    Um resumo bem completo dos principais problemas do mercado no país. Muito a se pensar, entender e resolver.
    Assim como o Murak, acho que aos poucos – e sempre constante – a situação de maneira geral está mudando para melhor.

  5. Otávio
    11/03/2010

    Excelente texto!!!
    E video game é tão infantil quanto um DVD-Player.
    Eu já tentei argumentar, mas la vai minha tia dar dinheiro de novo pro filho pequeno jogar GTA.

  6. 11/03/2010

    Nossa, que texto… impressionante…

    Falando pelo pequeno lado dos desenvolvedores de jogos (ao qual eu, indiretamente, faço parte), acredito que o principal é rever seus objetivos, seus sonhos. Se os sonhos forem simplesmente desenvolver jogos esse pessoal não vai se importar muito em fazer isso lá fora. u_u Por outro lado, se essas pessoas idealizarem, sonharem, acreditarem, se houver em seus futuros um objetivo focado de fazer isso pelo nosso país, então eu acho que vale à pena. xD E quando falo pelo nosso país, quero dizer algo bem mais forte que simples patriotismo.

    Enfim, meu grupo tem esse ideal, o Sopradores de Cartuho. xD Mas como vamos nos esforçar muito estamos caminhando por estradas tortuosas ainda. xD Uma das coisas que já estamos fazendo é desenvolvendo o roteiro para uma história à partir da experiência com RPG de mesa, pra daí desenvolvermos livros ilustrados, histórias online e futuramente até jogos de luta, estratégia, rpg ou aventura. *-*

    E se eu não falei ainda, parabéns! *-* texto impressionante e emocionante!

  7. 11/03/2010

    e no Brasil se eleger a um cargo politico é sinonimo de ganhar na mega-sena, digo, cargos legislativos nem se quer necessitam de salario fixo, uma vez que tomam muito pouco tempo dos legisladores, os quais costumam manter seus empregos e atividades comuns apos se elegerem, mas esperar destes dragões redução de impostos sobre qualquer coisa é tolice, nós chegamos a um ponto de protecionismo fútil que a ABNT até lançou um novo padrão 100% nacional de plugue de tomada com um unico oobjetivo de obrigar empresas importadoras a instalar fabricas de conversão no país, e acreditem eles ainda querem proibir empresas brasileiras de fazer adaptadores!õ.Ò

    e na boa dificilmente uma sony vai abrir uma fabrica para produzir equipamentos de altissima tecnologia em um país onde em alguns lugares nem se imagina a possivel existencia de uma tevê de lcd…

    a pirataria é de fato algo péssimo, mas eu me recuso a pagar R$ 200,00 em UM UMD…

    • Vagner
      11/03/2010

      Esse negocio de plugue padrão nacional desde a primeira vez que vi sabia que não era boa coisa. Mas chegar a proibir empresas brasileiras de produzir adaptadores é protecionismo demais.

      É graças a pensamentos retrógrados como esse, e de um certo mario também, que pode se dizer que o mercado de games em um geral se encontra assim. Mas é como a Bruniha falou é questão de mudar o pensamento, se focar e investir em uma conscientização de que video games vai muito além de um brinquedo para crianças.

    • 11/03/2010

      Exatamente Caassapaba, por isso as empresas nao investem por aqui!

      A falta de acessibilidade em nosso país é notável. Nem todos tem acesso a globalização!

      Eu trabalho com jornal impresso e já fui em casas onde nem energia tem. As pessoas não estudaram e jovens de 17 anos já tem 5 filhos.

      Vamos demorar muito ainda para chegarmos a competir com outros países.

      • 11/03/2010

        É mas pode-se perceber que apesar da falta de investimento em cultura, saneamento basico estrutura fisica e etc.. há muitos produtos que estão “avançando” no país como os celulares cada vez mais “baratos” (que em alguns lugares da europa são de graça) a incrivel internet popular de *PASMEM* 100kbit que agora é oferecida em muitas cidades brasileiras (não todas[nem de perto todas])e a televisão digital que (pelo menos em SP) ja esta funcionando em sampa há mais ou menos um ano, e até agora não atingiu a divisa com o Rio de Janeiro (Vale do Paraíba).

        as empresas cada vez mais investem nas multiplas funcionalidades dos seus consoles, como o receptor de TV digital (PSP), os MMOModules pra seus jogos e addons em geral.

        Mas em um país sem Internet de qualidade, sem estrutura de TV digital (a qual por acaso importamos do Japão), e onde se vive com um constante medo de assalto (ano passado só, fui assaltado 2 veses, numa delas perdi um PSP).

        Eu não culpo qualquer empresa por se manter longe do Brasil, nós sim temos um ENORME mercado consumidor, e sim temos os recursos para instalar polos produtores de consoles, mas estrutura pra consumo é algo que nem chegamos perto de ter…

  8. Helder
    11/03/2010

    Ótimo post e bons comentários, retrata muito bem os problemas nacionais e é bem direto quanto a isso. Parabéns Bruna!

  9. 11/03/2010

    Parece que a GamerTAG já está fazendo escola.
    Legal você também irem pelo pensamento deles.
    Parabéns!!!

  10. Eduardo
    11/03/2010

    Sinceramente, não espero mais nada nesse pseudo-mercado brasileiro. Esse governo é muito hipócrita, burocrático, e muito conversador. Nunca atingiremos o mercado de games dos EUA/Japão/Europa, nem daqui a 30 anos. Todo mundo fala que o Brasil tem potencial no futuro pra games, mas o que eu vejo, no máximo, são joguinhos de celular. Aqui não tem potencial nem pra dublar ou traduzir os games que vem de fora, o que dirá fazer uma super produção.

    • Vagner
      11/03/2010

      Bom eu acho que pelo menos o governo, até mesmo como incentivo ao combate a pirataria, deveria no mínimo começando por investir na criação de polos para tradução e dublagem de grande produções estrangeiras. E ai sim, por sua vez, a produção de games nationais de grande porte seria um questão de tempo.

    • Eduardo
      12/03/2010

      Exatamente Rebeca. Eu sei que o Brasil tem potencial de dublagem, tanto que é um dos melhores países nesse ramo, mas estou dizendo que eles não investem o mínimo pra isso, que é aparentemente simples. Já que o governo não ajuda nem com isso, o que dirá apoiar empresas nesse ramo pra fazer grandes produções.

  11. Cristian
    11/03/2010

    É isso aí meninas, 100% GamerTAG! Vamos unir a galera True Gamer para mudarmos a situação do mercado Nacional.

  12. 11/03/2010

    Bebs para presidente. E tenho dito.

    A questão não precisa nem ser comentada. Está tudo no excelente post da Bruna Miss Towers. Está clara a ignorância dos nossos atuais “representantes”. É papel de todo blog/site do Brasil chamar a atenção disso. Me orgulho de existir alguns como Girls of War, Gamus e o futuro GamerTag pode também ajudar nisso.

    • 11/03/2010

      pq a bebs? Eu que deveria ser presidente!

      A bebs iria fazer do Kojima conselheiro dela, e aí tudo ia ficar no ar, nunca saberiamos de nada e teríamos que desvendar mistérios!

  13. 11/03/2010

    O governo tem certeza que a forma ideal do nossos entretenimento é assistir TV aos domingos, games so entram em pauta quanto vão ser proibidos.

    Agora, longe de eu defender a pirataria, mas eu defendo sim aquele cara que tem um renda familiar de R$ 2000,00 (classe media) dois filhos, que paga aluguel, prestação do carro, escola dos dois filhos etc, etc e etc e não tem como dispor de 80 reais que seja para gastar com seus tão queridos Games. E aí o que ele faz? Muita gente diz “se não puder não compra” é fácil falar isso quando você é um dos que podem comprar.

    O mercado de games no Brasil não existe. Como diz nosso presidente “É so uma marolinha”

  14. 11/03/2010

    Excelente artigo… Deviam pegar e juntar todas as pessoas que atualmente planejam e realmente estão fazendo algo no cenário de produção indie de games no brasil, pra ver se incentivavam mais pessoas ainda.. Sei que existem, pq conheço uns 3 que estão tentando fazer algo diferente na area,por conta própria.

  15. 11/03/2010

    Muito bom o texto. Diferencial para a iniciativa de mudar da Ubisoft que instalou um studio na capital e algumas empresas nacionais que já vêem desenvolvendo games para Nintendo DS, iPhone e iTouch. Também temos pessoas desenvolvendo jogos em Flash para celulares. O mercado nacional tem potencial e, em minha opinião, falta que nós, brasileiros, gamers e desenvolvedores, tenhamos vergonha na cara e busquemos o que precisamos.

  16. 11/03/2010

    Bom para começar belo post Bruna parabens mesmo.

    Bom eis o seguinte o Carlito Mess antes deputado federal, agora é prefeito de Joinville, atraves de um amigo meu soube que ele não vai por em pratica o projeto dele porque justamente agora ele é prefeito de Joinville, tem até a entrevista dele ná época em que ele fez o projeto na minha pagina, a intenção dele era boa, mais não foi alem da intenção.

    Eu juntei um pessoal fera ano passado para um outro projeto de redução de impostos de games, entre os vários profissionais que eu reuni estavam o Kao Tokio o Roger Tavares o Andre Faure entre outros muitos e todo o pessoal da imprensa de games. O deputado que iria impetrar nossa causa era o Arnaldo Faria de Sá o mesmo que fez o estatuto do idoso no Brasil e para minha “e de varios” infelicidade ele foi caçado por apropriação indebita de dinheiro publico.

    Nesse ano meu alvo sera ainda maior, em Paraty no começo do ano meu pai falou com o ministro de relações publicas, que acabei conhecendo posteriormente, bem não posso dar mais detalhes, mais meu projeto de redução de impostos continua firme e forte vou ir até o fim com ele. Pelo menos essa é a minha luta para isso.

    Pelo que percebi tambem provar para eles que estão perdendo dinheiro ao inves de ganhando com esse numero abusivo não é dificil o dificil mesmo é convencer eles a abraçarem uma causa que não incluam cifras…….

    Mas para mim, não adianta apenas critica-los, criticar sem fazer nada é muito simples mesmo esse meu projeto vai sair de uma forma ou de outra o negocio é não desistir mesmo e sempre procurar oportunidades, ontem mesmo em uma partida de Gears of War 2 com 3 amigos meus descobri que eles são muito ligados a politica e claro já se prontificaram a me ajudar. P.S por isso que eu amo Gears até quando você não espera acaba descobrindo coisas legais :-)

    Esse ano apesar dos vários projetos que tenho esse sera uma prioridade minha, eu estava conversando com o Akira e decidimos fazer um documentário sobre os games no Brasil onde justamente abordamos a questão dos impostos, acho que esse ano sera decisivo nessa questão.

    Abraços a todos – Moacyr

    • 11/03/2010

      é assim que se faz…

      mas eu não posso fazer :(

      de qualquer modo…

      QUE A FORÇA O ESTEJA COM VOCÊ!

    • 11/03/2010

      hoje quem cuida do PL 300/07 é o Antônio Palocci, senão me engano!

      E agora que a coisa não desanda mesmo!

      O Carlito já virou prefeito de Joinville tem um tempinho memso

  17. 11/03/2010

    Tem uma empresa texana que fabrica componentes eletrônicos muito usados em robótica. Para estudantes, eles enviam suas peças de graça (e eu digo 100% de graça, incluindo o frete) para o mundo inteiro MENOS o Brasil. Por que? Pelo simples motivo de o governo brasileiro querer cobrar impostos sobre os componentes que estavam sendo *doados* a estudantes universitários. Diante desse ultraje (pra não dizer coisa pior), eles resolveram não enviar mais nada ao Brasil, e menos que o solicitante pague.

    E aí, dá pra esperar o que de um país assim? Desculpem a franqueza, mas a pirataria aqui representa uma forma de legítima defesa.

    Outro grande problema, que não chegou a ser abordado no texto, é sobre qualidade técnica. Explico: a maioria das pessoas que entra em cursos universitários para aprender a fazer jogos odeia matemática. Para o azar deles, a programação não existe sem a matemática, e eu não falo daquilo que se aprende no ensino médio; são coisas bem bizarras mesmo. Sem ela até dá pra fazer uma mágica ou duas, mas definitivamente não é assim que a banda toca.

    Boa programação também envolve gerenciamento de equipe e previsão de prazos, gerenciamento de recursos e planos de contingência, e isso não é ensinado em cursos de games. Claro, estou falando de coisas grandes, não jogos em flash.

    Aqui no Brasil temos bons gamers querendo ser programadores, enquanto que lá fora temos bons programadores contratados e muito bem pagos para fazer games. Por isso os japoneses tem um Playstation e nós temos um Zeebo.

  18. 11/03/2010

    Pelo menos temos o zeebo

  19. 11/03/2010

    Tá, ao que parece, através de toda a discussão que o assunto gera, o problema vai culminar sempre na construção da consciência, do pensamento da massa né?

    O problema da pirataria é geralmente defendido como uma “única saída”, ou “saída justa”, ou qualquer coisa que está sendo promovida pelas altas cargas tributárias impostas no Brasil. Pelo outro lado, as altas cargas são justificadas por causa da pirataria, então entramos num ciclo?

    Independente de quem queremos ver como certos ou errados, independente de ver nosso país como incapaz, insuficiente, ou sem saída, o correto é cada um assumir uma responsabilidade, um compromisso, e fazer o que achar correto para ajustar a situação. Como cada um daqueles que tenta fazer games no Brasil, ou como o Moacyr ali em cima que também faz a sua luta. xD

    Nota: Fazer programação sem gostar de matemática é zica mesmo… Rsss
    E tem gente que gosta de matemática e faz design! O_O (Eu por exemplo… Rsss Mas ei de partir para o outro lado também. xD)

  20. 11/03/2010

    Excelente artigo Madame Torres. Excelente indeed.

    De fato, o governo brasileiro é um crustáceo manco quando falamos de inovações e tributação.

    Mas ora, para manter os bolsos dessas bestas psicóticas que empesteiam o planalto central, tributa-se pesado onde se estereotipifica: “supérfluo”. Uma visão ultrapassada e um tanto estúpida, mas destes senhores decrépitos não podemos esperar mais nada de positivo.

    Essa idéia deveria ser propagada, pode contar comigo para divulgar este artigo.

    Um abraço!

  21. Ally
    11/03/2010

    Bom, primeiramente queria parabenizar a Bruninha pelo excelente post.

    Bom, vou começar meu comentário citando uma coisa que o nosso amigo “Alan Flamer” falou acima:
    A pirataria é um fruto dos altos impostos, assim como os mesmos são uma consequência da pirataria, e isso gera um ciclo sem fim, uma guerra entre Governo Ganancioso x Pirateiros, os dois lados estão errados, mas você tem que escolher um deles. Ou você financia o “sistema” ou está contra ele.

    A solução pra isso? A redução dos impostos, claro! Mas acho difícil…

    Afinal, como podemos ter alguma esperança quanto a isso quando existem esses vergonhosos escândalos políticos que vemos todos os dias na TV, e que ainda no final ninguém vai preso e tudo acaba em pizza?!
    Além da alta desigualdade social que existe em nosso país e outros diversos problemas…

    Bom, talvez eu tenha desviado um pouco o assunto, mas foi para mostrar o quanto nosso país tem que melhorar em outros aspectos importantes antes que possamos pensar no sonho de um melhor mercado de Games no Brasil.

    E quanto as grandes empresas de games não virem para o Brasil, isso não é só também por causa da questão cultural da falta de incentivo, como apontado no post, mas também pelos esterótipos brasileiros lá fora, em que o Brasil se resume a “Rio de Janeiro, Carnaval e favelas” e essa fama de malandro que brasileiro tem (espero que essa imagem mude depois das Olimpíadas e da Copa).
    Querem exemplos gamers? CS_Rio, CoDMW2 e Max Payne 3.
    É óbvio que esse é um pensamento de uma mente limitada, mas, tudo isso se junta: os esterótipos, o mercado fraco de games no Brasil por conta dos impostos, a falta de incentivo, a pirataria, tudo isso forma 1 coisa só, o que faz com que as empresas não tenham interesse em vir pra cá.

    O jeito seria investir no mercado nacional, empresas BRASILEIRAS de criação de games, como a Donsoft do Capoeira Legends, que foi citada no post, mas isso está longe de se tornar uma realidade, precisaria de muito incentivo pra ter uma indústria brasileira de jogos de qualidade.

    Finalizando, assim como a Bruninha falou no início do post, eu também espero estar vivo quando o Brasil tiver um bom mercado/indústria de games. Até lá…continuamos apenas com fé e esperança de que algum dia isso aconteça.

    E pra fechar com chave de ouro esse meu comentário:

    Bebs para presidente. E tenho dito. [2]

  22. 11/03/2010

    Eu to pensando em tentar Engenharia de Software, mas não sei se tem como eu acabar mexendo com games. Mas é meu sonho /,,/ … E eu tentaria trabalhar dentro do país mesmo, pra evitar essa “fuga de mentes”.

    • 11/03/2010

      E quanto a questão da pirataria:

      O que me fez migrar para os games originais foi o “baixo” preço de alguns games (na época comprei DOA 4, Forza 2 e Halo 3 originais, uma média de uns 130 reais cada), e a baixa qualidade dos jogos alternativos. Desde então eu venho comprando games originais e sentindo muito orgulho, é uma grana realmente suada pra comprar cada jogo desses, mas a cada jogo comprado é uma conquista pessoal, pois sei que estou fazendo minha parte nessa luta contra os altos impostos.

      E a relação dos impostos com a compra do game original é bem simples (ou não): Só compensa reduzir impostos desse setor se ele render lucros. Como o governo pode reduzir os impostos sobre os games e eletrônicos originais se a procura por piratas é bem maior?

      Tenho bem menos games do que a galera que conheço na LIVE, por exemplo. Cada um lá já jogou uns 100 jogos, enquanto isso na minha estante tenho apenas 26. Parece uma injustiça, mas pelo fato de ter menos jogos eu passei a aproveitar bem mais os meus games, passando meses com apenas 1 game, terminando-o várias vezes, desbloqueando extras e tudo mais. Enquanto a galerinha dos piratas coloca um game no console, joga algumas horas e compra outro.

      … é uma “discussão pra boteco”, mas no fim das contas o descaso do governo aliado a falta de responsabilidade (e também de dinheiro para bancar os games originais) do brasileiro acaba prejudicando a todos. Tanto ao governo com os impostos que deveriam ser pagos, quanto com os gamers, que sofrem com preços altíssimos.

  23. Rubens Viana Natal-RN
    11/03/2010

    Excelente o texto!
    Posso dizer que sofro mais ainda nesse mercado de games, morando aqui em Natal, no Nordeste. Pagar R$200 num jogo lançamento num tá nem no meu pensamento! (Até rimou! :P)
    Enfim, pra não enrolar muito, vou dizer apenas uma frase:
    “Enquanto a principal forma de entretenimento do Brasil for Big Brother e novela, poucos brasileiros vão se importar com jogos.”

  24. Siri
    11/03/2010

    Complicado.

    A gente reclama dos problemas do Brasil como se fosse culpa “dos outros”, mas é um problema nosso e nós mesmos contribuímos para ele aumentar e continuar. :\

  25. georges
    11/03/2010

    Isso e algo q me deixa muito chateado.
    Essa burocracia tem q acabar pra so assim a gente poder jogar.
    Com o preço absurdo q um console e um game tem por aki e normal q muitos recorram a pirataria.

  26. 12/03/2010

    Bom, há também uma tendência evolutiva correndo na sociedade atualmente, no quesito comunicação, que pode influenciar o comportamento da mesma quanto à essas questões. Falo de idéias que tornam os antigos receptores de informação em fortes emissores também. A idéia de Web 2.0, creative commons, hipernarrativa, as pessoas comuns estão formando fortes redes de comunicação e dividindo informações entre si.

    Isso de um lado pode ajudar ou piorar. A idéia do “não fazer nada” pode se espalhar rapidamente como uma mania subconsciente, mas da mesma forma a atitude pode ser influenciada por pequenas iniciativas de poucas pessoas que representam muito. Entre eles, os blogueiros. xD

    Então, da mesma forma como a informação dá saltos vertiginosos hoje em dia, pode ser que de uma hora para a outra aquilo que imaginavamos impossível, ou improvável de acontecer em pouco tempo, pode acontecer. Dependendo da qualidade, o lançamento de um único game brasileiro que valha realmente à pena pode ser impactante. ^^

  27. 12/03/2010

    Ótimo post Bruna, o problema cultural é pra mim um dos mais complexo afinal o brasileiro muitas vezes sequer coloca na balança se o o jogo pirata realmente é mais vantajoso. Um exemplo complementando até sua frase: “São poucos os que se arriscam e criam algo diferente, como o jogo Capoeira Legends da empresa Donsoft”. É que a empresa Perceptum, criou o jogo para PC Incidente em Varginha, que tratava do caso do ET de Varginha. Comprei o jogo original por R$9,90 na Época. Segundo os socios da empresa existiram pessoas que pagarão R$ 10,00 e R$ 15,00 no pirata. Ou seja na cultura brasileira a pessoa já acha que por ser pirata já é vantajoso. Eu acredito muito no mercado de games brasileiro e por isso investo como posso, mas precisamos lembrar que existe uma despreparação muito grande das nossas empresas. A Tectoy como deve saber lançou ja faz um tempo o Console Zeebo, o qual eu tenho. A velocidade de lançamento de jogos e a qualidade dos jogos ainda estão muito inferior a capacidade do console. A Tectoy faz muito mistério sobre tudo, e ainda não temos nenhum publisher brasileiro parceiro da Tectoy. O Console foi visto no Brasil como a grande porta e oportunidade do mercado brasileiro de emergir no cenário internacional dos games, devo lembrar que este console será vendido em todo o BRIC(Brasil, Russia, India e China) Um jogo feito por uma publisher brasileira ganhara 3 paises além do Brasil. Então temos vários problemas para consolidar o sonho de um mercado forte no nosso pais.

  28. 12/03/2010

    Bruninha, eu concordo contigo.
    Esse país só vai pra frente se a população reclamar insistentemente por melhorias.

    Acho que nós os gamers também deviamos fazer isso mais constatemente.

    Ótimo artigo!

    • 12/03/2010

      Não só reclamar, creio. O_O O povo brasileiro já reclama bastante de um bocado de coisas de forma tão leviana, tão superficial, que não adianta nada, basta ignorá-los. E já tem outras coisas que o povão não reclama porque nem liga.

      Além de reclamar tem que agir, cada cabeça fazendo algo pequeno pode compor uma mudança grande e gradativa.

  29. Renan Rodrigues
    14/03/2010

    Post simplesmente perfeito!
    Nem vou entrar muito em detalhes, faço das palavras dos outros comentaristas a minha.

  30. Fabio Costa
    03/04/2010

    Pessoal, olhem só este link que vou postar aqui. Ele se refere a uma campanha para que a lei acima(300/07) seja aprovada. Essa questão foi levantada no ultimo dia do Trofeu gameworld 2010 e empresas e gamers fizeram um abaixo assinado para acelerar o processo. Muitos podem pensar: ” De que adianta assinar se nada vai mudar”, mas eu tenho certeza que é pior nao fazer nada e ficar de braços cruzados.

    Segue o link: http://www.impostojustoparavideogames.com.br/index.html

  31. Patrick
    26/11/2010

    Correção para a Frase “Deixamos de arrecadar aos cofres públicos em impostos R$ 30 bilhões por ano por conta da pirataria”.
    Deixamos de encher 30 Bi por ano os bolsos dos corruptos.
    Sou um tanto contra a pirataria, mas bem mais contra pagar 200 contos em um jogo. Simplesmente inaceitável um jogo custar 1/5 do valor do hardware…A desculpa “se não consegue sustentar o vício, nem compra” também não cola… se eles cobrassem mais barato, ganhariam na quantidade.
    se um game custasse em torno de 50 a 80 reais, teria uma demanda muito maior….mas…

  32. Tiago Gevaerd Farah
    20/08/2011

    A tributação no Brasil não tem comparação. Qual o sentido de tributar tão pesado para os jogos eletrônicos? Se o Brasil tivesse uma grande indústria de games, talvez fizesse sentido proteger a produção brasileira através da carga tributária. Icentivos fiscais para o mercado de games JÁ.

  33. Tiago Gevaerd Farah
    20/08/2011

    Se o Brasil abir espaço para o mercado dos games, logo haverá guerra fiscal para atrair o setor.

Crie uma conta no gravatar.com para colocar sua foto nos comentários.

Sempre que comentar em algum blog com o email cadastrado, aparecerá sua imagem.